Síntese biográfica do meu percurso em África durante a Guerra Colonial o0o Mobilizado como Furriel do QP, de 1965 a 1967 integrado na CArt 785/BArt786 formado no RAP-2, para prestar serviço na RMA – Angola, no Sub-Sector do Quitexe , Sector de Carmona, destacado na Fazenda Liberato, Fazenda S. Isabel e novamente Fazenda Liberato de onde regressei á Metrópole o0o Mobilizado como 2º Sarg. de 1968 a 1970, em rendição individual para RMA- Angola e colocado no GAC/NL em Nova Lisboa , Huambo, mais tarde transferido por troca, para Dinge em Cabinda integrado na CArt 2396/BArt 2849, formado no RAL.5, regressei no final da comissão a Nova Lisboa de onde parti para Lisboa, a bordo do paquete Vera Cruz onde viajei também na primeira comissão o0o Mobilizado como 1º Sarg. de 1972 a 1974 integrado na Cart3514, formada no RAL.3, para prestar serviço na RMA- Angola , no Sub-Sector de Gago Coutinho (Lumbala Nguimbo) província do Moxico, onde cumprimos 28 meses, em missão de protecção aos trabalhos de construção da “Grande Via do Leste” num troço da estrada Luso – Gago Coutinho – Neriquinha – Luiana. Regressei em 1974, alguns meses depois de Abril 1974, tal como na viagem de ida, a bordo dum Boeing 707 dos TAM,.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Capº.XII - Passar os dias no Leste de Angola

Passar os dias, em qualquer sítio, desde que seja  num ambiente atractivo e agradável, nada custa e o tempo passa-se quase sem dar por isso. Para nós, militares, enquanto deslocados em “missão de soberania”, como se dizia naquele tempo, era também e de que maneira, bastante difícil de passar o tempo, já pelas condições climáticas e ainda pelo estranho ambiente povoado de toda uma série incontável de estranhos amimais, desde o elefante que, embora não sendo carnívoro, se lhe der para atacar um ser humano, este não terá pernas que cheguem para se proteger dele. E isto para não falar noutras espécies mais agressivas e até classificadas de ferozes, como os leões, onças, chitas, etc. Assim é até compreensível e natural que,  no meio de um ambiente que é hostil ao ser humano, se procurem todas as possibilidades para se distraírem que, evidentemente não são diárias. Assim, indo rebuscar os meus recursos fotográficos, fui encontrar o documento  que anexo o seguir:       
S.Martinho/73(?)Da esqª.para a dtª:Sold/Trms Parreira, Botelho, Furrieis.Parreira,Pereira,Duarte,Marques
Monteiro, Barros, Diogo, Carvalho e Soares
 É una foto que foi captada, salvo erro,  no ano de 1973, na Messe de Oficiais e Sargentos da CArt 3514, uma nova dependência que dantes não existia no Acampamento do Nengo . A festividade comemorada foi o São Martinho, pois na mesa estão presentes as tradicionais castanhas e vinho. Quanto aos figurantes que se encontram nela, a começar pela esquerda, vêm-se: O Sold.Trms Parreira, o autor, 1º.sarg.Botelho, Furiéis Parreira, Pereira, Duarte, Marques, Monteiro, Barros, Diogo, Carvalho e Soares. Como se pode ver o ambiente é descontraído e alegre, dentro do possível, pesem embora as dificuldades que num contexto de tal natureza devem existir sempre, achando eu que não deve ser necessário enumerá-las por serem óbvias. Fui, novamente, procurar nos arquivos  e encontrei outra imagem que vou anexar já de seguida:        
Da esqª.para a dtª: Indivíduo não identificado(possivelmente serei eu), os furriéis Soares e
Cavalho e no fim o Alf.João Brás
Esta foto foi captada ainda no Depósito de Géneros, que nos serviu de Messe no Nengo antes da construção daquela que consta na foto anterior. Nesta imagem figuram, da esquerda para a direita, um indivíduo não identificado, pois só de lhe vê a nuca e os ombros e que, muito possivelmente, serei eu, seguindo-se os Furriéis Soares e Carvalho e, por fim o Alf.João Brás. Pelo cenário apresentado, em que aparecem sacos de farinha, arcas congeladoras e bidons, um deles contendo azeite, percebe-se que se trata de um Depósito de Géneros de Campanha. Continuando a pesquisa nos meus arquivos, encontrei a imagem que anexo e seguir:  
Da esqª. para a dtª.:1º.Sarg.Botelho, Cap.Milº.Crisóstomo dos Santos e Fur.MAP e
"Cantineiro" Cardoso da Silva
 Nela figuram, da esquerda para direita, o autor, 1º.Sarg.Botelho, o Cap.Milº.de Artª.Rui Crisóstomo dos Santos e finalmente, o  Fur. MAP e “Cantineiro” da CArt 3514, Manuel Cardoso da Silva. A localização desta foto é no alpendre do alojamento de Oficiais no Destacamento do Nengo, Sede da Companhia. Foi uma reunião para resolução de assuntos administrativos relacionados com a Cantina e Vencimentos de Pessoal, por alturas do ano de 1973. São acontecimentos isolados, mas que demonstram que também haviam reuniões de trabalho para se tratar de assuntos de interesse e bem- estar do pessoal e não só festas e comemorações como se poderá inferir pelas imagens já anteriormente aqui colocadas. Anexo a seguir uma última imagem que encontrei: 
da esqª. para a dtª. Alf.Costa e Silva, Sold.Vicêncio Carreira, Sold.Liberto, Sold. Parreira e
1º.Sarg.Botelho
Trata-se de uma foto de uma refeição num dia normal e nela figuram, da esquerda para a direita: O Alf. Costa e Silva, seguindo-se o nosso Cozinheiro e Barista, Sold.  Vicêncio Carreira, o Sold.CAR Liberto, o Sold.Trms.Parreira e. por fim, o 1º.Sarg.Botelho autor deste “post”. Esta imagem demonstra que não haviam problemas na convivência entre as diversas graduações, pois todos se tratavam com respeito devido. Além do mais, há  assinalar que boa parte dos nossos efectivos em praças era originário de Cabo Verde e que entre os europeus e os africanos insulares, nunca houve, mutuamente, o mais insignificante acidente de ordem racial, durante os cerca de quase três anos de convivência mista entre os elementos da CArt 3514, desde a sua formação em Évora, em 71, até ao fim da Comissão em 1974. Este “post” já atingiu o tamanho que deveria ter e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos  da CArt 3514 e familiares, assim como aos elementos da CArt 785/BArt 786 e aos da CArt 2396/BArt 2849 e bem assim para todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos, sem excepção,vai um até breve com um abraço do camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Capº.XI- Memórias dispersas do Leste de Angola

Devido a falta de inspiração, falhei o “post” semanal que era habitual editar com aquela periodicidade. Em agravamento para a falta de inspiração, estava eu também convencido de que deveria seguir a sequência cronológica dos factos, tendo, depois de efectuar uma profunda reflexão sobe a utilização desse sistema, chegado à conclusão de devia abandonar essa ideia e deixar-me conduzir pela documentação fotográfica que tenho ao meu dispor que, não sendo em muita quantidade é, em qualidade, bastante sofrível. Assim, resolvi deixar de preocupar-me com a cronologia até porque, estas Crónicas não têm a pretensão de serem um Diário, mas sim um relato documentado mas simplificado de acontecimentos dispersos no tempo, sem a preocupação com a respectiva sequência no tempo. Seguindo esta ordem de ideias, fui pesquisar os meus arquivos e encontrei a foto que a seguir vou anexar a este “post” e de que vou fazer uma  descrição do local em que foi captada e dos elementos nela figurados:   .
Da esqª. para a dtª: Carmo, Botelho, Soares e Diogo
A localização desta imagem situa-se no acampamento do Rio Luanguinga, primeira sede da CArt 3514 e, portanto no início da nossa Comissão no Leste de Angola, em 1972 .Todos os seus figurantes são conhecidos de todos, mas não quero deixar de os identificar: A partir da esquerda para direita, o 1º.Cabo Carmo,  o autor deste “post”, 1º.Sarg. Botelho, o 1º.Cabo Socorrista Elísio Soares e , por fim o nosso Vagomestre, Fur.Diogo. Não se consegue identificar o militar encostado ao Jeep Willys, que se encontra no extremo direito. Agora e já sem preocupar-me com a ordem de ocorrência dos factos, lá fui novamente à “pesca”  e fui encontrar uma outra imagem inédita nesta III Parte destas Crónicas, e com um “salto no tempo”, encontrei uma foto, que nos coloca já no Acampamento do Nengo, que se encontrava em fase de acabamentos, já em 1973, e que insiro a seguir: 
Soares, Botelho e Parreira
 Todos os figurantes são sobejamente conhecidos, mas de qualquer maneira, gosto de identificá-los um por um, para provar a mim próprio que, embora já um tanto velhote, graças a Deus, ainda não fui atingido pela “Alzheimer”. Assim, da esquerda para a direita, está o nosso Fur. Melo Soares, seguindo-se o autor deste “post”, 1º.Sarg. Botelho e por fim o nosso Fur. Parreira. Até agora, parece-me que não falhei nenhum!...Mas ainda quero ver se encontro mais uma foto para rematar a composição deste “post”. Fui à procura e, de facto, com mais um pequeno salto no tempo,  lá fui desencantar mais uma imagem  que não resisti a incluir já a seguir: 
Alf.Rodrigues, Carvalho, Caetano e Botelho
Nesta foto tirada no Nengo em 73 ou 74, estão figurados os seguintes elementos, da esquerda para a direita: Alf.Milº.Rodrigues, o  nosso Fur. Milº.Carvalho, o Soldado/TRMS Caetano e, por fim, o autor deste “post”, 1º.Sarg. Botelho. Trata-se de uma comemoração qualquer, talvez um aniversário de um dos figurantes, uma vez que parecem estar equipados para isso. E depois de ter andado aqui aos “saltos no tempo”, consegui engendrar um “post” que espero não tenha sido maçador e que tenha feito recordar ocorrências passadas já há uns 40 e tal anos de distância, que despertam nostalgia e saudade , não daquilo que tivemos por que passar naquele tempo pois não sou saudosista,  mas da convivência, camaradagem e amizade cimentadas na adversidade que a, todos sem distinção,  atingiu e se manifesta ainda hoje nos convívios realizados anualmente. E por agora, vou ter de encerrar   este “post”, endereçando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, aos da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849, assim como para todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um abraço do camarada e amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Capº.X -Exposição de antiguidades das F.Armadas

Desde o princípio dos trabalhos que me propus realizar  ao iniciar estas Crónicas, me considerei como uma das pessoas menos qualificadas para os realizar, uma vez que em apenas uma das minhas comissões, a primeira, fui empenhado em missões de combate propriamente ditas. Nas restantes duas Comissões, embora tenham sido consideradas missões de guerra, não o foram de combate real, pois as minhas missões foram essencialmente preenchidas com funções administrativas, que para efeitos de historial, não se prestam muito ao preenchimento de umas Crónicas dignas de tal nome. Não ocorrem quaisquer episódios que dêem boas histórias , pois o trabalho em que estamos ocupados não se presta para elas e, poderá suceder, como agora, que me veja com pouco ou nenhum assunto para ocupar este “post” que estou a tentar levar a bom termo. Assim, e como último recurso, vou debruçar-se sobre a  antiguidade  dos materiais de que estávamos equipados para a temática ofensiva e defensiva que era primordial para o bom cumprimento da nossa missão nos territórios da ex-colónia portuguesa de Angola. 
Metralhadora Pesada Breda 7,9 mm m/38
Para começar, vou integrar a seguir uma imagem de uma arma de origem italiana e que, ao tempo, já tinha uma respeitável idade, pois tinha nascido em 1938 tendo, para uma arma, uma respeitável duração de 34 anos, portanto, já tinha sido estrela na II Guerra Mundial  e, embora assim fosse, desempenhava muito bem e sem falhar, a sua mortífera missão , com poucas ou raras avarias mecânicas. Material velho, mas de excelente eficiência. Havia uma outra estrela de antiguidade, mas com uma elevada e eficiente “performance”, desta vez, no ramo auto. Só tinha um defeito: a sua suspensão era de uma rigidez insuportável e, em viagens longas e por caminhos acidentados, deixava os pobres passageiros com dores insuportáveis em todo o corpo, mas principalmente e pior na coluna dorsal, que ficava como que desfeita com os solavancos que lhe eram propinados.     
Jeep Willys m/940
 Anexo aqui e agora uma imagem dessa estrela, de origem americana, nascida por volta dos anos 30-4l, sendo largamente utilizado pelas forças Aliadas, durante a II Guerra Mundial. Após ter sofrido algumas alterações, surgiu com as formas e modelos idênticos ao da imagem anexa. Prosseguindo agora, quero apresentar mais uma estrela , mas desta vez, no ramo Aeronáutico . Trata-se do famoso avião de caça T6 Harvard, que foi criado em 1941 nos EUA e usado como avião de treino para os pilotos das USAF, USNavy e RAF, até 1950.Vieram para Portugal em 1947 e 1950, sendo utilizados também como aviões de treino para os pilotos da FAP. Foram utilizados na Guerra Colonial e abatidos ao efectivo em 1978. Podem ainda ser vistos no Museu do Ar em Alverca e pode-se ainda voar neles.  Anexo a seguir uma imagem do aparelho em questão.     
Avião caça T6 Harvard
.Prosseguindo na exposição das antiguidades das Forças Armadas em Angola em geral e em Gago Coutinho, em particular, cabe agora a vez a outra antiguidade, esta a campeã de todas as antiguidades citadas acima. Trata-se da avioneta DO 27. Foi esta marca criada na Itália em 1922, num estaleiro de construção de hidroaviões, tendo ali sido construído o maior avião comercial antes da II Guerra Mundial e, durante esta foram construídos vários modelos do mesmo avião, praticamente até aos dias de hoje.   
Avioneta DO 27, da FAP
A seguir junto uma imagem do aparelho da FAP de nome DO 27, que era utilizado em muitas missões, nomeadamente as de PCA(Posto de Comando Aéreo), avião de reconhecimento, avião de reabastecimentos, transporte de correio em zonas inacessíveis e muitas outras que agora me não ocorrem. Este “post”, fugiu à regra do tema, mas disso já expliquei as razões acima. Também já atingiu o tamanho habitual e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849, assim como para todos os eventuais visitantes deste blogue, onde quer que estejam. Para todos um abraço, com um até breve, do amigo e Camarada,
Octávio Botelho

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Capº.IX - Memórias dispersas do Leste de Angola

Nesta época e neste mês em especial e há cerca de 40 anos, continuava a CArt 3514 com o seu comando sedeado em Gago Coutinho e, como já referi em “post” anterior, a vida era como de costume, bastante rotineira, limitando-se a nossa missão aos serviços burocrático-administrativos, que surgiam por fases, sucedendo que tínhamos, no nosso trabalho, ora épocas “em cheio” , alternadas com épocas “de vazio” e,  nesses períodos de pouco que fazer, tentávamos, dentro de possível passá-los da melhor maneira e dentro das possibilidades. Na minha equipa de trabalhos tinha excelentes colaboradores, sendo que o primeiro entre todos era, sem sombra de dúvidas, o meu eficiente e desembaraçado Cabo Escriturário António Carrusca e sempre que havia um intervalo de tempo livre, lá dávamos uma saltada a casa dos nossos vizinhos da FAP, para uma visita ao Bar deles, para se emborcarem umas cervejas, mas sem se abusar, pois que muitas vezes, depois dessas libações, tínhamos que prosseguir o trabalho no qual se tinha feito uma pausa para descontrair. Também não quero  esquecer  que o Cabo Socorrista Elísio Soares,  também dava uma preciosa ajuda nos trabalhos de dactilografia quando este serviço apertava e, até eu, se necessário e não houvesse outra ajuda alinhava em trabalho de dactilógrafo, não me tendo, por isso, caído dos ombros os distintivos hierárquicos.  
Botelho,o autor,"barman" da FAP e Cabo Escritº.Carrusca, em Gago Coutinho
em 1972
Para ilustrar um desses intervalos realizados no Bar da FAP, junto, a seguir uma imagem elucidativa, captada no citado local, e nela figuro eu, o “barman”, militar da FAP e o que era, ao tempo, o meu eficiente Escriturário. É uma imagem que acentua de forma flagrante a diferença abismal que existe nas nossas aparências físicas daquele tempo para as da época actual, mas a verdade é que esse facto é decorrente de um processo irrevogavelmente natural  e estamos sempre bem, seja em que tempo e modo for. E assim, decorria a nossa vida sendo passada da melhor maneira possível, aproveitando-se as oportunidades para distrairmo-nos da pasmaceira em que se vivia,implantados no meio de nenhures, não deixando para trás qualquer possibilidade de fazer por esquecer a nossa situação de prisioneiros em liberdade, pois para mim era esta a melhor definição da situação  a que estávamos todos, sem excepção, sujeitos.     
Da Esqª.para a dtª.: Fur.Carvalho, Cabo Pinto, Cabo Freitas, Emilio Pires, Melo, Fur.A.Sousa, soldados Castro e Caetano, no Bar Castro, vulgo,"Mete Lenha", em G.Coutinho em 1972. Ao centro e atrás, Botelho, o autor.
A seguir, adiciono uma outra imagem, esta tirada um pouco antes da anterior, pois recordo-me que foi tirada quando estávamos em Luanguinga e que suponho, deva ter um significado especial para primeiro figurante da esquerda, cuja apresentação faz lembrar a de um célebre careca, actor de cinema, que se chamava Yul Breynner , mas que, se não estou enganado foi originada na “carecada” que lhe foi dada pelo Comandante ou 2º.Comandante do BCAv 3862 “Cavalo Branco”.A imagem deve ter sido captada em 1972, no único Bar-Restaurante existente na vila, cujo proprietário se chamava Castro e que era vulgarmente conhecido como “O Mete Lenha”. Figuram na imagem, para além do Fur.Carvalho, um condutor, o Cabo Freitas “Padeiro”, outros dois condutores, o Fur.Arlindo Sousa, os Soldados Castro e Caetano. Ao centro e por de trás, estou eu. 
Cabo Socorrista Elísio Soares, junto à Igreja da Missão de São Bonifácio,
em Gago Coutinho em 1972/73
A seguir, incluo uma imagem do Cabo Socorrista Elísio Soares que, como referi há pouco, foi um empenhado auxiliar nos serviços de dactilografia da Secretaria, sempre que o serviço apertava e se encontrasse na sede. Sempre animado de vontade de ajudar, foi o Cabo Elísio Soares, um prestimoso auxiliar em serviços de secretariado que, embora não sendo da sua especialidade, desempenhou de forma impecável competente e conscienciosa. Embora tardiamente, aqui estou para agradecer-lhe a prestimosa colaboração que dedicou a um trabalho extra e que não era de sua obrigação fazer. A foto inserida,  mostra o Cabo Socorrista Soares, numa pose que revela a sua faceta de pessoa voluntariosa e ciente de que sabe o que quer e para onde ir.O local, é a Igreja da Missão de São Bonifácio, à data de 1972/73, de que hoje apenas existem ruínas provocadas por um derrotado Movimento de Libertação que  achou que o edifício sagrado podia ser utilizado contra eles como instalação “defensiva” ou“ofensiva” militar. Na minha opinião, uma opção errada, mas  este é um caso que  “aqui” e “agora”, não é de debater. Este”post” já atingiu a extensão que lhe tinha fixado e, por isso, vou encerrá-lo,  enviando cordiais saudações a todos os elementos da ex-CArt 3514 e familiares, da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849, assim como para todos os visitantes deste Blogue, onde quer que estejam e se dêm à paciência de me ler. Para todos um até breve, com um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Capº.VIII - Permanência em Gago Coutinho

Situo a narrativa deste Capítulo, na antiga Vila de Gago Coutinho, actualmente conhecida pelo nome de Lumbala Nguimbo, onde a vida, para mim, era de uma monotonia desesperadora. Tal condição fazia com que tentássemos passar o tempo da melhor maneira possível, aventurando-nos em passeios pelas redondezas da vila que não era, em realidade muito extensa, uma vez que a sua área urbanizada mais compacta, correspondia aproximadamente a quarenta hectares e meio. Era  e é uma vila situada no meio de nenhures, sem povoações vizinhas próximas, a não ser as típicas sanzalas indígenas que, ao tempo, rodeavam a povoação por quase todos os lados. Das casas dos europeus, não tenho qualquer imagem, pois as mesmas  em si, se revelavam pouco interessantes pois eram cópias fiéis das casas que tinham na Europa e não tinham na sua construção ou estilo qualquer exotismo que despertasse interesse. Outro tanto já não posso dizer das habitações indígenas que, a par do exotismo da sua construção(madeira, nas estruturas e colmo(capim), nas  paredes e tectos) que são típicas daquela região.  
O autor numa
sanzala em GagoCoutinho
Anexo aqui uma imagem dumas dessas casas(cubatas), que mesmo com a pobreza dos materiais à sua disposição, já tentam uma imitação dos europeus, construindo em anexo à sua cubata, um alpendre com uma espreguiçadeira, feita de aduelas de barril, para fazerem as suas sestas à sombra, fora dos raios ardentes do sol. Pela minha parte, achava e acho ainda muito bem , que os autóctones tenham e gozem das suas comodidades. Tinham também uma bonita igreja, situada na periferia de um arvoredo, por de trás do qual se encontrava e encontra ainda hoje a Missão Católica de São Bonifácio, atribuída a uma Comunidade de Irmãs que têm variadíssimas missões de carácter religioso, escolar e social em benefício das populações locais. Da linda igreja que lá deixámos, hoje, infelizmente, apenas restam ruínas e como lembrança do edifício sagrado desaparecido, anexo, a seguir, uma imagem do mesmo tal como era outrora.
Igreja da Missão de S.Bonifácio, em Gago Coutinho, em 1974
Voltando a falar do estilo de vida naquela vila, era certo que mensalmente e por motivos administrativos tinha de ir levantar fundos para pagamentos de ordenados, vencimentos e pré, deslocando-me ao Luso, actual Luena. Para essas deslocações, não era permitido usar transporte terrestre, mas sim a via aérea, para afastar a possibilidade de se perderem, nalguma emboscada, os valores que transportávamos. Para o Luso, transportava um cheque da RV/RO/QG/RMA, sobre o Banco de Angola, anexado à relação  e recibos individuais mecanografados, dos vencimentos de todo o pessoal da CArt. Assim, para obstar à perda de valores que poderiam ocorrer numa viagem por via terrestre de mais de 300 Km, usava-se, por imposição, a opção de via aérea, mas, imagine-se!...Num caco velho, usado na II Guerra Mundial pelos Aliados, um avião bi-motor, de fabrico francês, de nome “NordAtlas”, aportuguesado para “Noratlas”, que era, essencialmente, um avião de transporte de Materiais, transporte e lançamento  de tropas“Páraquedistas”. Era, portanto, um avião sem insonorização, com armação metálica e sobre esta, a chapa metálica exterior. Lá dentro, durante o voo, era uma barulheira desgraçada dos motores. Quando se atravessavam os “poços de ar” em corrente descendente, o avião caía e tínhamos a impressão de que o estômago ia sair pela boca.Chegado o aparelho às correntes ascendentes, lá voltava  para a altitude de segurança, até que atingisse outra corrente descendente que ameaçava despenhar o avião para a floresta. Numa meia hora de voo dávamos meia dúzia de mergulhos em direcção à terra e só respirávamos aliviados, depois de por os pés em terra no fim da viagem.  
O avião "Noratlas", vulgarmente chamado de "barriga de jinguga"
Aqui, junto uma fotografia do aparelho em questão que, ao ser visto na imagem não desperta tanta insegurança como se possa pensar. E a verdade é que não aconteceu,que eu saiba, durante a guerra colonial,  nenhum acidente com os velhos “Noratlas”,o que prova a perícia e cuidado dos mecânicos da FAP, na manutenção dos velhos aviões que possuíam. Este “post” já está a atingir os limites que me propus atingir e assim, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações para todos os  elementos da ex-CArt 3514 e seus familiares, assim como para todos os que compuseram as CArts 785/BArt 786 e CArt 2396/BArt 2849 e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue onde quer que estejam. Para todos, vai um abraço e um até breve do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Capº.VII - A vida em Gago Coutinho

Viver, como vivi em Gago Coutinho, durante uns meses, enquanto se construía o Acampamento da Colina do Nengo, era uma autêntica pasmaceira. Tinha uma vida de  rotina, comparada quase à de um funcionário civil no seu emprego, constando quase exclusivamente das tarefas burocrático – administrativas e pouco mais. Tinha muito tempo livre à minha disposição que era, muitas vezes, ocupado em dar passeios nos arredores da vila, acompanhado do meu Escriturário, António Carrusca, dos Cabos Socorristas Elísio Soares e  do saudoso Abreu, do Cabo Pimenta, do Condutor Júlio Norte e por vezes do falecido Vicêncio Carreira. Este era o núcleo fixo que muito poucas vezes foi desfeito e permaneceu junto durante a maior parte do tempo de comissão no Leste de Angola. Tínhamos muito tempo em que pelo menos eu e alguns deles ficávamos em frente às instalações que nos serviam de Secretaria, em silêncio e a apreciar os cenários incendiados do por-do-sol, de que anexo aqui uma elucidativa imagem de um desses deslumbrantes espectáculos,  que suponho, não existirem iguais noutras partes do globo.     
Por-do.sol em Angola
Para os passeios, limitavamo-nos a uma área muito próxima da vila e que não ultrapassavam a margem esquerda do primeiro rio que se encontrava na estrada que seguia para os lados do Nengo e Ninda e que era uma área de planície suavemente ondulada , cujo limite eram as margens desse rio que corria para sueste, em direcção à Zâmbia e que eram bastante baixas, dando a percepção de que, no tempo das chuvas, com a subida de nível das águas do rio, deviam ficar submersas, por largo tempo, e que conservavam vestígios de que eram utilizadas pelos autóctones como terrenos agrícolas, com características muito semelhantes às da lezíria dos rios do continente português, situadas nos vales do Tejo, Sado e Mondego. Como já disse algures, estes passeios eram arriscados e apesar de levarmos connosco armas para a defesa individual eram,  na verdade um desafio que resultava de uma descontracção irresponsável de que, felizmente, não resultaram quaisquer consequências, ,mas que não tinham quaisquer garantias de que não viessem a suceder. Enfim, inconsciências da juventude, de que poderiam ter saído acontecimentos indesejáveis. Até parece que estas aventuras e o nada de grave ter acontecido, confirmavam um lema da antiguidade  que dizia: “A sorte  protege os audazes”  e que era e é, o lema de uma elite do Exército Português, os célebres “Comandos”, que o têm, mas na língua latina : "Audaces fortuna juvat” e  um ou outro, querem dizer as mesmas palavras e têm a mesma conotação.  
Passeio nos arredores de Gago Coutinho
 A seguir anexo uma imagem de um desses passeios em que apareço eu, realizados na periferia da Vila de Gago Coutinho. Quanto aos trabalhos de secretariado, era assistido pelo meu Escriturário que, quando o trabalho apertava, eu próprio o ajudava, assim como o Socorrista Soares e o já falecido Cabo CAR Arlindo Pais, que Deus tenha!... Tinha uma dependência em que estava situado um gabinete para o Comandante e outro ao lado para o 1º.Sagento, onde estava a secretária, os arquivos e os cofres fortes da CArt, onde eram guardados os valores próprios da mesma, como por exemplo, o “Fundo de Maneio”, valor que, no fim da comissão, seria devolvido à Rep. de Administração e Orçamento do QG/RMA, em numerário e em contas de Despesas da CArt, assim como o “Fundo Privativo”, de receitas próprias da Companhia, constituído pelas receitas de vendas de Cantina e de vendas de sobras de géneros e despesas com material de consumo corrente.  No fim da Comissão se entregavam contas que eram suportadas por este fundo, sendo o numerário remanescente entregue à RAO/QG/RMA.  
Secretaria da CArt3514 em Gago Coutinho
 Nesta altura junto uma terceira imagem do meu local de trabalho enquanto estive em Gago Coutinho, vendo-se por trás de mim, os dois cofres fortes e um cofre de campanha, tipo arca, fechado a cadeado. A minha área de trabalho está muito arrumada, o que significava uma acalmia na afluência de expediente que, frequentemente, era bastante . Havia luz eléctrica, pois é patente a presença de um candeeiro de secretária, mas se repararem bem vê-se também um outro meio de iluminação mais arcaico, representado por uma vela colada a uma tampa plástica, para as emergências. Este “post” já tem uma extensão bastante razoável e, por isso, vou ter que encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, para todos os elementos da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849 e ainda para todos os eventuais visitantes deste Blogue que se derem à paciência de me ler, estejam onde quer que seja. Para todos um até breve com um abraço de amizade do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Capº. VI - Desfile de Recordações

Permaneceu o Comando da CArt 3514 no Quartel de Gago Coutinho, naquela altura ocupado pelo Batalhão de Cavalaria Nº.3862 “Cavalo Branco”, até depois do Natal do  ano de  1972, mudando para o Acampamento do Nengo, que se encontrava ainda em fase de acabamentos da sua construção, por uma equipa de militares da Companhia, chefiada pelo nosso Camarada, Furriel Milº.António Manuel Melo Soares, que dirigiu magistralmente, essa equipa de construção expedita, em que foram utilizados materiais fornecidos pela natureza ambiente, em madeiras para as estruturas básicas. Foi conseguido pelo Comando o necessário cimento para a base e as chapas de zinco onduladas para os telhados. Quanto às paredes  laterais foram construída de chapas de bidões de alcatrão, depois de devidamente cortadas, alisadas e endireitadas sob os cilindros.
Equipa de Construção do Nengo
Insiro a seguir uma foto de alguns elementos dessa equipa, imagem que documenta o duro trabalho a que foi submetida para realizar a pesada missão que lhe foi atribuída e que muito contribuiu para que o Comando e as suas dependências, assim como os Oficiais e Sargentos e algumas Praças tivessem, dentro do possível, ao seu dispor as razoáveis instalações que usufruíram durante toda a sua restante Comissão. Foi um trabalho de bastante mérito, que muito contribuiu para as boas condições de vida para todos os elementos da CArt 3514, em especial para a parte Logística. Só foi pena que tal se não pudesse estender a todo o pessoal que teve de viver nas tendas de lona cónicas.  Mas a verdade é que tal seria impossível de concretizar.  As  armações e estruturas básicas foram construídas com madeiras abundantes na natureza ambiente, com excepção para as bases que seriam em cimento e os telhados que seriam em chapa de zinco ondulada. Quanto às paredes laterais, foram construídas com chapas de bidões de alcatrão, cortadas à talhadeira e à marreta, sendo depois “passadas a ferro” pelos cilindros  e depois aplicadas e pregadas às estruturas de madeira, até ao nível do telhado. E, como o local, na época quente ou do cacimbo, era batido impiedosamente pelos raios solares, foi colocada sobre os telhados, uma grossa camada de capim, assim como pelas partes laterais do tecto ao chão foi colocada uma antepara de madeira coberta com capim, para que os alojamentos se não transformassem em fornos e ficássemos assados lá dentro. Assim as instalações eram frescas mesmo com o sol mais forte e também mais quentes e confortáveis no tempo mais frio. Também o isolamento dos telhados com o colmo, silenciava o tamborilar da chuva quando esta caía a potes durante a sua época própria.  Eram também instalações seguras quanto a queda de raios durante as trovoadas, funcionando como autênticas “gaiolas de Faraday”pois os seus componentes metálicos conduziam para a “terra” toda  a carga electrica que as percorresse, não atingindo assim o que quer que estivesse no seu interior. E, a propósito de trovoadas,  cheguei a assistir a algumas em que se queimaram uma quantidade enorme de rádios transístores com que mantínhamos ligação como mundo exterior, assim como os rádios das transmissões que ficaram inoperacionais por alguns dias. Estávamos muitas vezes no meio duma imensidão de paisagem , com trovoadas em nossa volta  numa amplitude de 360º, acompanhadas de chuvas  diluvianas que, por uma vez, afogaram um morteiro de 81mm que estava instalado do seu espaldão, tendo sido socorrido, não só pelo pessoal especializado em Armas Pesadas, mas também pelo responsável das Trms, com algum pessoal a assistir em volta com muita curiosidade.
Na imagem: Cmdt.,eu, atrás dele,Sold.Trms.Monteiro, Fur.Parreira, Ribeiro(Cripto), Cabo Pimenta e Fur.Diogo.
No lº.plano, Fur.Silva e atrás deste, o Fur.Medeiros
Anexo aqui uma imagem dessa ocorrência para memória futura. Nela figuram, da esquerda para a direita, o Comandante da CArt 3514, Cap.Milº.Crisóstomo dos Santos, por trás dele, meio escondido, estou eu; segurando o morteiro 81, está o Sold.Trms., Monteiro ; a seguir, o Fur.Milº.Parreira, o Ribeiro “Cripto” e a seguir o Fur.Milº.Diogo, o Vagomestre. O que está curvado, à frente do Ribeiro é o 1º.Cabo Pimenta. No primeiro plano, está o Fur.Milº.”Armas Pesadas” Cardoso da Silva e por detrás deste está, meio escondido, o Fur. Milº.Trms, Medeiros, a prestar uma ajuda na recuperação do morteiro que ficou “afogado” no seu espaldão. Acho que este “post”já atingiu a extensão ideal, pelo que vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, aos da CArt 785/BArt786 e CArt 2396/BArt 2849, e bem assim para todos os eventuais visitantes deste Blogue que se derem ao trabalho de me ler. Para todos um até breve com um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Capº. V - Comando e Estado-Maior da CArt 3514

Este era um tema que deveria ter sido apresentado no início da III Parte destas“Crónicas de Angola” mas que, por um lamentável lapso da minha, parte não foi, como deveria ser, atempadamente publicado. Isto foi originado por eu, um tanto ou quanto apressadamente e sem o devido planeamento, ter dado início à resolução de passar a letra de forma a história da minha trajectória pelas terras de Angola, durante a guerra .
Estacionamento do Nengo, da CArt 3514
.Mas, como lá diz o velho ditado: “mais vale tarde do que nunca”, e assim resolvi dar corpo a um trabalho que deveria ter sido feito no início da minha tarefa e aproveito a oportunidade para, aqui e agora, pedir escusas a todos vós por essa minha falha. Assim, vou apresentar a seguir, a relação do pessoal que compunha o Comando e Estado-Maior da ex-CArt 3514 “Panteras Negras”:
Oficiais
Comandante:Cap.Milº.   -  Rui Afonso de A. Crisóstomo dos Santos
Subalternos  :Alf. Milº.   -  Manuel de Araújo Rodrigues
                                      - João Brás
                                      -  António Manuel da Costa e Silva
                                      -  António Maurício Moreira Ribeiro
Sargentos
1º. Sargento  : 1º.Sarg.Artª- Augusto V. M. Torres(a)
                             “          - Octávio B. Botelho(b)  
Sarg.Alim.       Fur,Milº.   -  Alberto M. Diogo
    “   SSaúde                    -  José Manuel Fonseca Marques
    “   Trms                        -  João Osvaldo M. Medeiros
    “    SMat                       -  António de Jesus Duarte
    “     At                           -  Arlindo Sousa
    “                                  -  António José Rosado Carvalho
    “                                  -  António Manuel Melo Soares
    “                                  -  António J. Carrilho
    “                                  -  José da Cunha Ramalhosa
    “                                  -  Manuel António B. Parreira
    “    Mec.AP                   -  Manuel da Rocha C. da Silva
    “     At.                          -  José Manuel C. Pereira
    “                                  -  Raul Lopes Pereira de Sousa
    “                                  -  Manuel Dias Monteiro
    “                                  -  Eduardo Lima Monteiro Barros
Neste “post” , por agora, nada mais há a dizer, excepto que, de um modo geral, todo o pessoal que compunha este Comando e Estado-Maior era um quadro bastante competente e preocupado com o pessoal menor sob o seu Comando e era estimado e respeitado por todo esse pessoal, o que demonstrava um reconhecimento das suas óptimas qualidades de comando, e do apoio, humanidade e cuidados que lhes dispensavam, levando-o, até hoje, a manifestar por tudo, um sentimento de gratidão e agradecimento. Vou encerrar este “post”,  por nada mais ter a dizer sobre esta matéria e não querer alongar-me muito sobre ela. Envio cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849 e bem assim para todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos vai um abraço de amizade do camarada e Amigo,
Octávio Botelho
Nota do Autor: (a) Exerceu as funções de 1º.Sarg. durante poucos meses, por motivos de saúde. (b) Substituiu, interinamente, durante a maior parte da Comissão, o 1º.Sarg.Titular, na falta deste. Organicamente, pertencia ao 1º.GC, aonde nunca prestou serviço efectivo.
Botelho.      

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Capº.IV - A mudança de acampamento

Como referi no Capítulo anterior, ficou a CArt 3514 estacionada na margem esquerda do rio Luanguinga, permanecendo ali, durante uns meses desde Abril do ano de 1972, até cerca do último quadrimestre daquele ano. Por essa altura, foi o Comando da CArt transferido para umas instalações do BCAv 3862(Cavalo Branco) , em Gago Coutinho, tendo ali permanecido uns poucos meses. A nossa passagem deveu-se a que estávamos destinados a ir para um acampamento que estava em construção na margem esquerda do rio Mussuma, mas estudados os prós e os contras da proximidade entre Gago Coutinho e aquele rio, que ficava a uns escassos dez quilómetros, que facilitariam em muito os desenfianços do pessoal para a Vila, foi resolvido situar  noutro local mais afastado o nosso estacionamento. Até já tinha sido começada a terraplanagem e a construção das barreiras de protecção do Acampamento, mas esses trabalhos foram suspensos e iniciados noutro local mais afastado de Gago Coutinho e cuja localização foi desviada para a Colina do Nengo, próxima do rio do mesmo nome e que ficava distante da sede do BCav, cerca de trinta quilómetros. Enquanto se procedia à terraplanagem, levantamento de barreiras e construção de instalações essenciais para a vida da Companhia, permanecemos em Gago Coutinho uns meses, findo os quais fomos instalar-nos no novo aquartelamento, situado na já citada Colina do Nengo, onde permanecemos até ao final da sua missão de serviço em Angola.
Vista aérea do Quartel de Gago Coutinho
Para que façam  uma ideia do que eram as instalações que usámos neste tempo, anexo  uma imagem de vista aérea do  aquartelamento que nos deu guarida durante a construção das nossas instalações definitivas. Estivemos lá instalados desde o fim do ano de 1972, até ao primeiro quadrimestre de 1973. Ainda no ano de 1972 e sensivelmente dois meses depois da morte do 1ºCabo Ernesto Gomes  por acidente em Maio daquele ano, voltámos a ter a visita do azar em 23AGO72 com outro morto por acidente, desta vez o 1º.Cabo Joaquim Ricardo, de quem tive a notícia do acidente que sofrera e tive que comunicar para o QG/RMA o falecimento, que teria de ser confirmado uma hora depois. Foi mais uma bocado de trabalho extra, pois tinha que preparar cópias de certos documentos pessoais do falecido, que eram metidos dentro de uma garrafa lacrada, que seria colocada no esquife, junto do morto, para uma futura confirmação de identidade, fazer um arrolamento dos bens pessoais do falecido, com diversas cópias e  proceder à embalagem selada e lacrada e despacho de tudo isso para a Repartição de Transportes do QG, que se encarregaria de enviá-los ao seu destino.  
Elísio Soares, "barista" da FAP e Botelho
Aqui anexo uma imagem que foi captada no Bar do Destacamento da FAP, em Gago Coutinho, depois de ter sido feita a autópsia , vestido o cadáver e colocados na urna os respectivos documentos de identificação. Nela estão presentes eu e o 1º.Cabo Socorrista Elísio Soares  e estamos a     beber uma cerveja depois de feito o trabalho funerário. O do meio é o “barista” da FAP, de quem não recordo o nome.  Isto foi em 24 de Agosto 72. Permanecemos em Gago Coutinho, até pouco depois do Natal de 1972 e nos princípios de 1973, estávamos a caminho da Colina do Nengo, cujos trabalhos de construção estavam   prestes a terminar e já tinha as necessárias instalações para a Secretaria, quartos para os Oficiais, para os  1ºs.Sargentos e camaratas para os Furriéis Milicianos. Igualmente, foram construídos uma padaria com o seu forno, Cozinha para o Rancho Geral, Refeitório, Cantina, Depósito de Géneros, Quartos para os Criptos e para as TRMs, Messe para Oficiais e Sargentos, Depósitos de Material, Oficinas Auto e Quartos para os CAR, tudo feito em construção expedita, pavimento de cimento, prumos verticais e travejamento de madeira do mata, descascada, paredes laterais de chapas de bidões de asfalto, abertos a talhadeira e “passados a ferro” pelos cilindros de calcar a estrada. O tecto era de chapa de zinco ondulada. Tudo era isolado com camadas de capim para isolamento do calor do sol e evitar que ficássemos assados dentro de casas feitas de metal. Eram frescas durante o dia e quentes durante  as noites típicas de um ambiente semi-desértico em que vivíamos.
O autor, na Sala do Bar da FAP
Finalmente anexo aqui outra imagem, tirada na sala do Bar do Destacamento da FAP, com a típica decoração mural de todos os lugares similares em que sejam,  na sua maior parte, rapazes novos e solteiros. Este “post” já está dentro dos limites habituais e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da CArt 2396 e CArt 785, assim como para todos os eventuais visitantes deste Blogue, que se derem ao trabalho de me ler. Para todos, um até breve, com um abraço do camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Capº.III - Começo da guerra e...do azar!...

Com a chegada ao nosso destino, na margem esquerda do Rio Luanguinga, iniciou-se a guerra que nos foi imposta a vós, elementos da CArt 3514, pela primeira vez, com uma excepção: para mim, era pela terceira vez. Era um ambiente diferente daquele a que estava habituado nas anteriores comissões, mas como é habitual nos seres humanos, adaptamo-nos muito facilmente a novos ambientes. A primeira característica que estranhei, logo de início, foi as da vegetação, muito diferente da de Cabinda, em que predominavam árvores seculares e de tal altura, tão compactas que em pleno meio-dia, no solo que as suportava, mal entravam os raios do sol. A vegetação do norte de Angola, não era tão alta, mas era também bastante espessa e a iluminação, rente ao solo era também algo deficiente. Na vegetação do leste de Angola muito raramente se viam arvores muito altas e a predominância era a da vegetação arbustiva de espinhosas, típica das zonas semi-desérticas, de solo arenoso, como era o daquela área.  Anexo aqui uma imagem elucidativa de tais características.
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Chana no Leste de Angola, com solo arenoso e vegetação típica.
Ao fundo,  um destacamento, c/barracas cónicas de lona.

Mas, voltando ao rumo da minha história, ficámos alojados em instalações que deixou a CCaç 3370, que fôramos render. Os próprios fizeram correr umas histórias que confirmaram a que nos agoiravam os militares com que nos cruzáramos no caminho para ali. Diziam eles, quando lhes respondíamos que íamos para o Luanguinga: “Cuidado!...A companhia que lá está tem tido bastantes azares com emboscadas e com as  minas  A/C e A/P ” . Estivemos em sobreposição uns poucos dias. A missão  da CArt 3514, era dar protecção aos trabalhos de construção da estrada Luso-Luiana e assim ficamos distribuídos por três locais diferentes:  Luanguinga, um outro, num rio perto de Lutembo, de que não recordo o nome e o outro no Lutembo. No Luanguinga ficaram o comando e dois GC. O tempo decorria lento, mas calmamente, sem nenhuma ocorrência hostil por parte do IN. Mas o azar, que sempre nos espreitara à espera de oportunidade, surgiu inesperadamente.  Decorria o dia 7 de Maio 72, num  domingo, em que os rapazes do GC que estava no Lutembo, tinham realizado um jogo de futebol e findo o mesmo resolveram ir refrescar-se com um banho para as margens do rio próximo. Um deles, de nome Ernesto Gomes, durante o banho foi acometido por um qualquer acidente que originou que o mesmo, repentinamente, se submergisse nas águas que eram profundas, tendo desaparecido nas mesmas. Fizeram-se buscas exaustivas, mas só foi encontrado o cadáver dois dias depois. Era o dia 26º. de comissão no mato e já tínhamos um morto em acidente. Passaram três dias da data em que deveria ter sido relembrado o nosso camarada Ernesto Gomes. Mas como lá diz o ditado: “Mais vale tarde do que nunca”, aqui vai a evocação daquele nosso camarada que, tão cedo se despediu de nós, até  hoje.
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O saudoso Ernesto Gomes, falecido em 07MAI72, ao 26º. dia  de comissão 
no Leste de Angola
Anexo aqui uma imagem representando aquele nosso camarada, de quem me despeço com um “até um destes dias, camarada Gomes!”  Um mês ou dois depois desta ocorrência, o Comando da CArt é transferido para o Quartel de Gago Coutinho, onde o pessoal já tinha umas instalações mais confortáveis e melhores condições de vida, isto para o pessoal do Comando, pois que o que estava em destacamentos tipo nómada, uma vez que tinham de deslocar-se continuamente acompanhando a evolução e avanço dos trabalhos de estrada, evidentemente, estavam em piores condições, vivendo em barracas cónicas de lona. Por isso os destacamentos eram de curta duração, procedendo-se à substituição com outro GC  que saía do Comando para os destacamentos para que pudessem mudar de ambiente e descansarem um pouco mais, pois que o serviço num destacamento era excessivamente pesado e com muitas limitações em todos os aspectos. Poder-se-ia dizer que levavam uma vida de “cão”. 
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Um destacamento da CArt 3514, no Leste de Angola(1972-1974)
Aqui vai uma imagem que mostra um destacamento e o seu ambiente. Este “post”está a atingir os limites a que me propus e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações para todos os elementos da CArt  3514 e seus familiares,  para  os ex-combatentes da CArt 785 e elementos da CArt 2396, assim como para todos os  visitantes deste Blogue, estejam onde estiverem, se derem ao trabalho de o ler. Para todos, um até breve com um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Capº.II -Preparativos para a guerra

Desembarcados que fomos em Luanda, partimos para o Grafanil, desta vez,  não de comboio como da primeira vez, mas em viaturas militares.  Procedeu-se à  instalação do pessoal nos alojamentos disponíveis para as praças que eram praticamente os   mesmos que já utilizáramos. Para as praças um longo pavilhão coberto, construído em betão e com uns tabuleiros do mesmo material, com cerca de meio metro de altura em que se colocavam colchões de espuma de borracha e se encontravam ao longo de todo o comprimento. As paredes laterais, não encostavam ao tecto da construção, deixando um espaço aberto , ao longo de todo o edifício e a toda a volta,  uma altura de cerca de um metro e  meio, uma abertura para circulação de ar, sem janelas de qualquer espécie . Os oficiais e os sargentos iam para Luanda para hotéis e pensões. Havia, no entanto, para o lº.Sargento, uma caserna tipo JC, assente numa base de cimento, construída com módulos pré-fabricados, que servia de Secretaria e alojamento. Poucos dias lá estivemos, mas o tempo era muito bem aproveitado, pois tínhamos que deixar na Repartição de Vencimentos do QG/RMA, as listagens de todo o efectivo da Companhia para a introdução do mesmo no sistema mecanográfico de vencimentos, assim como do levantamento do Fundo de Maneio da mesma, que era importância bastante avultada e que deveria ser devolvida à Repartição de Contas da RMA, no final da Comissão. Também tinha que se tratar da recepção de material individual do pessoal, de munições e rações de combate para toda a gente e que seriam usadas a partir de determinada altura da deslocação para o local de destino da CArt.  Eram uns dias de trabalho ,bastante aborrecido, que requeria muita calma e atenção!...Mas ao fim do dia, tínhamos a certeza de que teríamos uma tarde bem passada,com um giro pelas esplanadas do “Pólo Norte” e do “Amazonas”, com uns “canhangulos”(*) e uns mariscos e desfrutar de panoramas como o que a foto anexa apresenta, num passeio pela marginal, à hora do por do sol e depois, ir a uma sessão de cinema à esplanada do Cine Miramar, que tinha uma deslumbrante vista sobre Luanda.
Marginal de Luanda, ao por do sol
Era o meu cinema preferido, embora também frequentasse o antigo Restauração (Hoje, a Assembleia Nacional de Angola) e o Tropical, para os lados da Av.Brito Godins. Também fui algumas vezes ao Cine Império, que ficava próximo da Av.dos Combatentes, pois a verdade era que Luanda tinha muitas e óptimas casas de Cinema. Mas voltando à guerra, estivemos no Grafanil poucos dias,  findos os quais nos meteram em autocarros da EVA, com destino a Nova Lisboa, uma viagem que demorava umas boas sete a oito horas e, quando ali chegámos foi-nos distribuído o armamento, ração de combate e equipamento individual para seguirmos dali para o Luso(actual Luena), utilizando como transporte um comboio dos CFB. Podia dizer-se que, a partir de Nova Lisboa, por via férrea, a caminho do Leste, estávamos já a entrar em “zona de guerra” . Chegados ao Luso,  meteram-nos num MVL composto por camiões civis, com uns taipais na caixa de carga semelhantes aos utilizados no transporte de gado, como se pode ver na foto que anexo.  
Na foto, apenas reconheço o Fur.Monteiro
A coluna desloca-se de norte para sul, passa pelo Lucusse, em seguida passa pelo Lungué-Bungo, aquartelamento dum destacamento de Fuzileiros  e depois pelo Lutembo, parando finalmente na margem esquerda do Luanguinga, onde estava também um estaleiro da empresa construtora da estrada. Umas acomodações que constavam de um quarto para o 1º.Sargento e para mim, onde ficámos os dois instalados. Uma secretaria bastante espaçosa. Pela minha parte, estávamos bem, pois já tinha estado em condições bem piores noutros locais. Estávamos muito perto da margem do rio, que era muito plano e com uma corrente não muito forte, mas por não saber nadar, nunca utilizei a praia fluvial para esse fim. Era bastante concorrida, como se pode ver pela foto que anexo a seguir, mas como disse, a mim nunca me atraiu. 
Na imagem: Carmo, Diogo, eu e Parreira
Este “post” está a atingir o limite que me impus e, por isso, vou encerrá-lo enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, da CArt 785 e da CArt 2396, assim como para todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem e se  derem ao trabalho de o ler. Para todos vai um abraço do Camarada e Amigo,

Octávio Botelho
Nota do Autor:(*)"Canhangulos" -Copos altos de cerveja, de barril, com a capacidade de 0,5 litro , também chamados "girafas". 

sábado, 28 de abril de 2012

3ª.PARTE - Cap.I - A minha terceira Comissão em Angola

Estava eu na minha Unidade nos Açores há pouco mais de um ano quando chegou à Secretaria a fatal nota do Estado-Maior do Exército, a nomear-me para mais uma Comissão. Uma péssima novidade para mim e para os meus familiares e com apenas uma coisa boa. A comissão para que estava nomeado era novamente para Angola, uma terra que já não era totalmente desconhecida. Tinha também a particularidade de estar nomeado para integrar os efectivos de uma Companhia Independente, a CArt 3514, também conhecida pelos “Panteras Negras”, cuja Unidade Mobilizadora era o RAL-3, sedeado em Évora.
Crachá da CArt 3514"Panteras Negras" 
Anexo aqui uma imagem do Crachá dessa minha Compamhia.   Por volta dos fins de Outubro chegou o dia da minha partida para a Metrópole e lá fui com a minha parca bagagem, que eram duas simples malas de camarote e um pequeno saco, acompanhado dos meus familiares até ao porto de Ponta Delgada, tendo embarcado no navio “Angra do Heroísmo” , com destino a Lisboa, onde tinha que me apresentar no DGA, na Calçada d’Ajuda, para me ser conferida requisição de transporte de comboio, da Estação Fluvial do Terreiro do Paço para o Barreiro e depois para Évora. Cheguei lá, e da minha futura Companhia ainda pouca gente existia: Não havia praças, nem sargentos e de oficiais apenas lá se encontravam o Comandante , os Aspirantes, futuros alferes Cmdts de GC, o1º.Sargento e mais  ninguém. Depois, foram chegando os  Cabos Milicianos, futuros Furrs. Cmdts. de Secção, os atiradores e, por fim,  os especialistas: condutores, mecânicos auto e de Armas Pesadas, socorristas, cozinheiros, Transmissões de Infª., Radiotelegrafistas, Escriturário, etc., etc..  Soube que houve uma tentativa de me desviar para uma outra Companhia, fazendo uma troca com um outro sargento das outras duas CArts, sob o pretexto de que os açorianos eram “mulas manhosas” e que eu estaria melhor noutra Companhia, que não a CArt 3514. Mas parece que a proposta não foi aceite pelo Comando , que teve o bom senso de não aceitá-la, tendo como que uma previsão do que viria a suceder mais tarde em que se viria a verificar que “ a pedra que os construtores rejeitaram,  se tornou a pedra angular”. Enfim, coisas passadas que, assim como as águas passadas, não fazem mover as azenhas. Depois de estar reunido no RAL-3 todo o pessoal dos efectivos da CArt 3514, iniciou-se a IE e por fim a IAO, numa zona dos arredores de Évora, chamada Valverde, nas proximidades de uma Herdade que lá havia. Nunca fui integrado no meu GC nesses exercícios, pois desde a minha chegada,  fui ligado às funções de auxiliar do 1º.Sargento e apenas me desloquei ao Acampamento uma ou duas vezes em missões de logística, acompanhando o Sargento de Alimentação.  
IAO-Valverde-Évora. Na foto,em cima:Arlindo Sousa, Barros,Monteiro,Marques,Raul Sousa e Ramalhosa;Em baixo.Carvalho,Duarte,Pereira, Soares e Medeiros
Aqui, anexo uma foto tirada durante a IAO em que estão representados alguns dos futuros fur.milºs. Em cima, Arlindo Sousa, Barros, Monteiro, Marques, Raul Sousa e Ramalhosa; em baixo: Carvalho, Duarte, Pereira, Soares e Medeiros. (Esta foto já é de todos conhecida, pois fui sacá-la ao Blogue da CArt 3514”Panteras Negras”e, se tiver de pagar “Copyright” por isso  não se acanhem !...) ;)  Em Dezembro de 71, fui eu  até aos Açores, passar o Natal, com a licença das Normas(licença de Mobilização), finda a qual regressei a Évora. Decorreu entre esta época e a Páscoa de 72 a instrução de Especialidades e IAO, com exercícios Finais e no Domingo de Páscoa tivemos a Parada para a entrega do Galhardete e Desfile de despedida e de seguida partimos de Évora para o Aeroporto Militar de Figo Maduro tendo , cerca da meia-noite, embarcando a bordo de um avião Boeing 707 dos TAM, com destino a Luanda, aonde chegámos após 9 horas de voo e que foi assim tão prolongado porque os países africanos que ficavam debaixo da rota directa e mais curta, não autorizavam a passagem de aeronaves portuguesas transportando militares para a guerra Colonial, o que obrigava a que a rota sobrevoasse  ao largo de África sobre águas internacionais, aumentando assim a extensão do percurso entre Lisboa e Luanda. Desembarcámos em Luanda, cerca das 09H00, com uma temperatura ambiente muito razoável, seguindo de imediato para o Grafanil, como era de necessária e indispensável tradição, para mim já repetida, mas inédita para o restante pessoal da Companhia.  
Capela do Embondeiro, no CM do Grafanil, dedicada a Nª.Srª.de Fátima
Introduzo aqui uma imagem do Campo Militar do Grafanil, que é considerada como um “ex-libris” daquela área. Por agora vou encerrar este “post” enviando cordiais saudações para todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, da CArt 785 e da CArt 2396, assim como para todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem e se derem à paciência de o ler. Para todos, um até breve e um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Adenda

Adenda - 2
Comando e Estado-Maior da CArt 2396/BArt 2849
Este “post” deveria ter sido publicado no início da II Parte destas “Crónicas de Angola”, mas por um lapso da minha parte, originado por não as ter planeado convenientemente, só pude fazê-lo agora. E, como lá diz o velho ditado e com muita verdade,”mais vale tarde do que nunca”, estou aqui e agora a corrigir essa falha, que espero me perdoem os elementos nele nomeados. Assim, a composição do Comando e Estado-Maior da Companhia em questão, era o seguinte:
Comandante:  Cap.Milº. -  António José Gonçalves Novais
Subalternos:    Alf. Milº. -  Marcial R.Portugal
                                       -  Álvaro António A.Frade
                               “        -  Manuel Henrique C.Almeida
                               “        -  Américo Manuel S.Santos
                               “        -  Dr. Jorge Sá Furtado(Médico)
Sargentos   :  2º.Sarg.Artª- Eduardo Augusto C.Costa(a)
                             “        - Octávio Barbosa Botelho(b)
                             “        - Jaime F. da Silva
                       Fur.Milº.   - Gilberto Fernandes(Vagomestre)
                             "      "  - Francisco M. de Matos(Trms)
                             "      "  - Fernando Pais da Costa(S.Saúde)
                             "      "  -  António M.Runa(S.Mat-Mec.Auto)
                             "      "  -  José Wilson M.Neto(At)
                             "      "  -  Luís Gonçalves(At)
                             "      "  -  Luís S.Antunes(At)
                             "      "  -  Hermínio Neves(At)
                             "       " -  Luís Pereira(At)
                             "       " -  Luís Murta(At)
                             “       “ -  José Figueiredo(At)
                             “         - Luís Engenheiro Santos(At)
                             “         - Fernando Afonso Abrantes(At)
                                      - Agostinho Silva(At)
                             “         - Licínio P.Bogalho(At)
Todos os elementos deste Comando e Estado-Maior constituíam, dum modo geral, uma equipa coesa e interessada no conforto e moral dos seus subordinados, destacando-se de entre todos o seu Comandante e o Oficial Médico. Relativamente ao pessoal comandado, este era também de um modo geral, disciplinado e possuidor do  espírito de corpo que se conseguia pela camaradagem que entre ele existia. Termino este “post”enviando cordiais saudações  a todos os elementos da CArt 2396 , da CArt 785 e CArt 3514, assim como para os eventuais visitantes deste Blogue, que se derem ao trabalho de me ler. Para todos um até breve, com um abraço do camarada e amigo,
Octávio Botelho
(a) - Era o 1º.Sarg. Titular da CArt 2396, onde serviu cerca de quatro meses, vindo do RAL-5, sua Unidade mobilizadora.
(b) - Vindo do GAC/NL,  substituiu o 1º.Sarg.Titular, por troca com este, até ao fim da Comissão da CArt 2396/BArt 2849-RAL-5.
Botelho
Adenda - 1
Foi bastante violenta e activa a actividade operacional durante o decurso da minha primeira ida a Angola nos anos de 1965-1967 e posso falar dessa actividade com pleno conhecimento de causa. Longas operações de 6 dias, sem quaisquer condições de higiene, passando a ração de combate, apanhando chuvadas diluvianas, acompanhadas de retumbantes trovoadas, no meio de florestas, cujas árvores caíam atingidas pelos raios, a escassos dez a vinte metros dos locais onde nos encontrávamos e, muitas vezes, secando no corpo as roupas encharcadas e isto, meus camaradas, não era o pior panorama que, se acompanhado pela orquestra das canhanguladas e outras armas do tipo pistola-metralhadora PPSH , FBP e algumas Mausers. O que valia era que nestas ocasiões, bastava gritar: “Venha a Bazooka!...” e mandarmos apenas uma granada para a direcção de onde nos atacavam, para eles se porem, como se diz , “a milhas” e ficávamos tranquilos, pois aqueles já não nos atacariam mais, o que não queria dizer que outros grupos o não fizessem. Em segundo lugar, risco de guerra correm todos os militares, sejam ou não operacionais. Bastava por-se o pé em terra angolana para se estar sujeito a esse risco, ao qual um militar, desde o mais graduado até ao simples soldado estava inexoravelmente ligado. Mas nesta altura, isto é passado e, posso dizer que em mais nenhuma das minhas mais duas Comissões, ocorreram comigo, pela graça de Deus, episódios semelhantes, embora o risco estivesse sempre presente, pairando sobre todos. Voltemos ao fim da minha 2ª.Comissão. Chega o dia de mais um regresso, este ainda a bordo do paquete “Vera Cruz”.
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Botelho e um camarada açoriano,a bordo do "Vera Cruz"
Anexo aqui uma imagem captada no dia da partida para Lisboa. Estou eu e um colega, também açoriano, de regresso a casa. Nesta comissão, felizmente, na Companhia em que prestei serviço em Cabinda, não houveram mortos em combate nem em acidentes de viação, tendo havido apenas uns dois ou três feridos ligeiros num recontro ou emboscada ocorridos no Sangamongo, algures na fronteira norte de Cabinda. Também não tenho conhecimento de nenhum elemento da mesma que tenha sido condecorado pela sua prestação de serviço naquelas paragens.  
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Eu, um primo e meus tios, num piquenique, no Huambo/1970
Em seguida, vou anexar uma imagem de um piquenique, com familiares meus, residentes em Nova Lisboa. Foi realizado nos últimos meses da parte final da minha permanência no Huambo. Nela estou eu, os meus tios e um dos meus primos que eram dois, sendo que um estava a fazer de fotógrafo. Como vêem, é uma cena vulgar, tal qual as que vemos de iguais ocasiões, nas nossas terras, com umas sombras de frondosas árvores, ouvindo-se os sons tranquilos da natureza, uns bons petiscos e umas cervejas fresquinhas, transportadas em caixas isotérmicas e, quem a vê, não faz ideia de que a cena decorra num clima tropical e nas vizinhanças de uma guerra. Mas o local era garantido por ser seguro e podermos estar descontraídos, tal como se pode constatar olhando para a foto.
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Eu, num jardim público do Huambo
Só mais uma última imagem e esta captada num dos jardins públicos do Huambo, que também em nada, nos faz evocar os ambientes tropicais, assemelhando-se muito a um vulgar jardim , numa vulgar cidade europeia. Agora, vou ter que encerrar este “post”,  para, na próxima semana, começar com a minha história da minha última Comissão em Angola, com a CArt 3514 "Panteras Negras". Assim, vou terminar enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 2396, da CArt 785 e da CArt 3514 e respectivos familiares, assim como para todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um abraço de  amizade do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho