Síntese biográfica do meu percurso em África durante a Guerra Colonial o0o Mobilizado como Furriel do QP, de 1965 a 1967 integrado na CArt 785/BArt786 formado no RAP-2, para prestar serviço na RMA – Angola, no Sub-Sector do Quitexe , Sector de Carmona, destacado na Fazenda Liberato, Fazenda S. Isabel e novamente Fazenda Liberato de onde regressei á Metrópole o0o Mobilizado como 2º Sarg. de 1968 a 1970, em rendição individual para RMA- Angola e colocado no GAC/NL em Nova Lisboa , Huambo, mais tarde transferido por troca, para Dinge em Cabinda integrado na CArt 2396/BArt 2849, formado no RAL.5, regressei no final da comissão a Nova Lisboa de onde parti para Lisboa, a bordo do paquete Vera Cruz onde viajei também na primeira comissão o0o Mobilizado como 1º Sarg. de 1972 a 1974 integrado na Cart3514, formada no RAL.3, para prestar serviço na RMA- Angola , no Sub-Sector de Gago Coutinho (Lumbala Nguimbo) província do Moxico, onde cumprimos 28 meses, em missão de protecção aos trabalhos de construção da “Grande Via do Leste” num troço da estrada Luso – Gago Coutinho – Neriquinha – Luiana. Regressei em 1974, alguns meses depois de Abril 1974, tal como na viagem de ida, a bordo dum Boeing 707 dos TAM,.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Capº.XVII - Saída de Cabinda - Regresso a Nova Lisboa

Estávamos na primeira metade dos anos 70, quando a CArt 2396 terminou a sua Comissão de serviço em Cabinda. Não me recordo da data precisa da ocorrência . Só me lembro de que, em certo dia do ano de 70, chegou ao Pangamongo a Companhia que ia render a CArt 2396 que, após a entrega das instalações e materiais à nova Companhia, esteve com esta num curto período de sobreposição, de cerca de uma semana, finda qual a CArt rendida foi, num certo dia, logo após o pequeno  almoço, levada para Cabinda em coluna MVL,  tendo sido mandada apear no porto, sendo em seguida embarcada em duas ou três LDG’s da Armada, com destino a Luanda
Baleia cinzenta
A viagem foi efectuada durante o dia e o estado do mar era de tal ordem, que mais parecia um sereno lago do que o mal afamado Oceano Atlântico. A meio de percurso, uma baleia cinzenta, começou a acompanhar por bombordo a uma distância de cerca de vinte a vinte e cinco metros, numa rota  paralela à da  LDG,  porporcionando-nos, durante uma boa meia hora, um fabuloso espectáculo de saltos. Junto aqui uma imagem que poderá dar uma ideia de um animal, medindo uns quinze a dezoito metros de comprimento e pesando umas boas oitenta toneladas. A verdade é que foi a minha primeira oportunidade que tive de tomar parte numa actividade chamada “whale-watching” hoje muito vulgar na minha terra e de que, naquela altura, ainda se não pensava. Findo o percurso, na ilha de Luanda, onde estava o porto da Armada, tínhamos à nossa espera as viaturas Berliet do Campo Militar do Grafanil que, para lá nos transportaram. Seguiu-se a instalação do pessoal e no dia seguinte, iniciaram-se os trabalhos de liquidação da Companhia, tendo que se colocar nos jornais diários avisos de que a CArt 2396 estava em Liquidatária. Nesse mesmo dia, chegou de Nova Lisboa o 2º.Sarg.Costa, que eu estivera a substituir nas funções de 1º.Sargento que, conforme prometera , veio ajudar-nos na liquidação da Companhia, que  era bastante trabalhosa. Com nós os dois a fazermos os trabalhos a coisa andou bastante bem e depressa, até que chegou o dia em pagámos os  últimos vencimentos e pré aos Oficiais, Sargentos e Praças, até à data do embarque.
Desfile no Juramento de Bandeira 2º.Turno/70
.No entanto, não regressei à minha Unidade em Nova Lisboa, onde iria terminar a.minha Comissão, que só terminaria depois dos meados de 70, pois não me deram  a quitação final, sem que a CArt 2396 estivesse em voo no avião “Boeing 707, dos TAM, a caminho de Lisboa. Nesta ocasião, incluo uma imagem da vida da Unidade em que passei a prestar serviço. Chamava-se GAC/Nova Lisboa e como é visível na imagem, poder-se-ia pensar que se estava numa Unidade metropolitana, pois tinha exactamente o mesmo tipo de actividades de uma Unidade habitual, com as suas Incorporações, ER, Juramentos de Bandeira e Escola de Cabos. Até o meu serviço ali era idêntico e na mesma Secção em que trabalhava na minha Unidade nos Açores: A Secretaria de Mobilização . Aqui, coloco a imagem de um desfile de tropas num Juramento de Bandeira, de um dos turnos de incorporação de 1970. E repare-se no anacronismo verificado no armamento individual dos militares, pois as armas que levam ao ombro são Espingardas Mauser 7,9 mm m/37-A, que como se sabe são armas de repetição. Para eles, a G-3, era uma arma que só lhes servia para estudo e nada mais . As G-3 eram para a guerra a sério e não para paradas e desfiles. E isto era assim, não só em Nova Lisboa, mas em todas as Unidades da Guarnição Normal de Angola, que não eram poucas.
O meu quarto na pensão
Para mim, passei de novo a ter quarto alugado em pensão, pois em Nova Lisboa as Unidades não davam alojamento aos oficiais e Sargentos. Aqui coloco uma outra imagem documentando o que afirmo. Nova Lisboa era  uma cidade rica em monumentos e aqui anexo uma outra imagem da praça Norton de Matos, com uma estátua do mesmo, cercado por quatro figuras alegóricas, representando as quatro virtudes cardiais: A Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança. Hoje neste mesmo local está colocada uma estátua a Agostinho Neto e a estátua de Norton de Matos está actualmente encostada a um muro, ladeado da suas quatro companheiras, quase parecendo que irá ser fuzilado, juntamente com as parceiras.
Monumento a Norton de Matos em Nova Lisboa
No entanto, sabe-se que o homenageado era idolatrado pela população de Nova Lisboa, quer fossem europeus ou autóctones. Bem, apesar de tudo, mantém-se em exposição pública e não armazenado como estão muitas figuras da estatuária deixada pelos portugueses em Luanda. Este já está a ficar um pouco extenso e vou, por isso, terminá-lo, enviando cordiais saudações e votos de Páscoa Feliz, a todos os elementos das CArt 2396, CArt 785 e CArt 3514, assim como para os seus familiares e para  os eventuais visitantes que se derem à paciência de me ler, estejam onde estiverem. Para todos vai um abraço de amizade, com um até breve, do camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 30 de março de 2012

Capº. XVI - Continuando a desfiar...recordações!...

As funções por mim desempenhadas na CArt 2396/BArt 2849/RAL-5, não me permitem entrar em descrições de episódios de combate, de vivência em condições precárias de diversa ordem, que sei que existiram, ainda com agravante de ocorrência de ataques por parte dos Movimentos de Libertação,(neste caso a FLEC(*), em que alguns elementos da NT foram atingidos e feridos, alguns, com certa gravidade, estando a recordar-me de um ataque a um destacamento da minha CArt, situado em Sangamongo em que sucedeu terem  havido feridos que citei acima. Soube dessa ocorrência por informações recebidas via rádio, nas comunicações que existiam entre esse Destacamento e a sede. Assim, para mostrar algumas imagens evocativas da minha permanência em Pagamongo, tenho que recorrer às que posso utilizar e que se reduzem  a fotos de eventos comemorativos de alguns aniversários de que na sede se festejavam. 
2º.Sarg.Botelho, Furs.Vagomestre, Mec.Auto, Neto e Engenheiro. Ao fundo
duas Praças de Trms.

Em consequência disso, aqui coloco uma imagem de um dessas ocorrências,  realizada na Messe de Of. e Sargentos. Deve ser o aniversário do Fur.deTrms., uma vez que se encontram presentes na imagem, duas Praças que são daquela especialidade.Passo a descrever os nomes dos figurantes na foto: Em primeiro lugar estou eu, seguindo-se o Furriel Vagomestre, Fernandes. Em seguida, figura o Fur.Mec.Auto,Runa e imediatamente ao lado, está o Fur.At. Neto, seguindo-se o Fur.At.Engenheiro. Os seguintes são um 1º.Cabo Radiotelegrafista e um Sold.Trms. Deve ter sido captada a imagem antes do início da refeição, uma vez que há poucas Nocal abertas e estarem ainda os pratos virados de borco em cima da mesa. 
Fur.Trms., esposa de um camarada, Botelho, Furs.Vagomestre e Neto
 A imagem que anexo a seguir é de um evento ligado ao Natal ou Ano Novo, uma vez    que está presente uma convidada civil, que era a esposa de um 2º.Sargento do QP , de nome Jaime Silva, que sei que é já falecido. Mas, vou nomear os figurantes que lá estão retratados: O primeiro era o Fur. de Trms, a senhora que está a seguir era, como disse, a esposa de um camarada do QP. E seguir estou eu com um ar muito bem disposto. Depois, estão os Furs.Vagomestre Fernandes e Neto. Ao fundo está uma outra pessoa que não é possível reconhecer. A foto deve ter sido captada no fim da refeição, uma vez que são visíveis as chávenas de café em frente dos figurantes. 
Meio escondido: Fur.Vagomestre, Fur.Enfº., 2º.Sarg.Botelho, Fur.Engenheiro;à dtª.,Fur.Bogalho e
ao fundo, o Comandante de uma das CArts.
Mais uma foto, desta vez num fim-de-Ano, pois há espumante à vista, sendo os seus figurantes, o Fur. Vagomestre Fernandes, só com meio rosto visível, seguindo-se o Fur. Enfº. Pais da Costa. Imediatamente a seguir, eu  próprio, com o meu cigarro na mão e depois o Fur,At.Engenheiro. Na lado direito, em primeiro plano, o Fur.At.Bogalho. Ao fundo e a fumar cachimbo, está um capitão, comandante de uma das CArt do Bart 2849, convidado para o evento. Para encerrar este “post” incluo uma última imagem, mas desta vez, de um animal da fauna de Cabinda, ou melhor, de  toda a África Equatorial. 
Chimpanzés(Mãe e filho)
Trata-se, nada mais nada menos que do chamado chimpanzé que era , juntamente com o seu primo gorila, um visitante nocturno habitual, a pesquisar restos de comida na cozinha do Rancho Geral, fazendo uma enorme barulheira com as tampas dos caldeiros, que se ouviam longe, no silêncio da noite. Este já está a atingir os limite e vou ter que encerrá-lo, enviando cordiais saudações para todos os elementos da CArt 2396, da CArt 785 e da CArt 3514 e familiares e igualmente para todos os eventuais visitantes, onde quer que se encontrem. Para todos em geral, um abraço de amizade do Camarada e Amigo,

Octávio Botelho
Nota do Autor(*) FLEC(Frente de Libertação do Enclave de Cabinda) 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Capº. XV - Relembrando fauna e locais de Cabinda

Todas as pessoas que calcorrearam as terras tropicais sabem que é verdade o que vou afirmar: Estas terras são um manancial inesgotável de seres completamente estranhos e exóticos que, na verdade nos espantam pelas suas peculiaridades e que, muitas vezes, nem  sonhávamos que existissem. E tanto assim é que sou levado a relatar um facto bastante estranho, ocorrido comigo, durante a minha permanência em Cabinda. Como é de todos sabido, andar calçado naquelas terras é uma precaução bastante segura para se evitarem surpresas desagradáveis, mas, na verdade, o clima desses lugares não nos obriga a ter aqueles cuidados e somos levados, naturalmente, a andar com os pés à fresca, calçados com “sabrinas”, sujeitando-nos,  assim a muitos contratempos e surpresas desagradáveis. Assim sucedeu que, numa noite em que me encontrava a trabalhar na Secretaria da Companhia, calçado com “sabrinas”(trabalhar de dia era insuportável devido ao calor), senti uma súbita e forte comichão no meu pé direito e comecei a coçar-me  e, quanto mais me coçava, mais comichão sentia, chegando a tal ponto que, com curiosidade, fui ver o que estava a acontecer, tirei os pés de sob a secretária e olhei para eles. Fiquei espantado, pois o local em que sentia incómodo tinha uma enorme bolha de água como se fosse de uma escaldadela com água a ferver. 
Lagarta peluda urticante
 Fui ao Posto de Socorros e  lá me puseram uma pomada qualquer que me acalmou o incómodo que sentia e disseram-me que voltasse lá pela manhã, para verem o resultado. Mal lá entrei, estava lá um nativo que era estagiário em socorrismo e perguntou-me o que se passara. Contei-lhe e responde-me ele: " Isso foi feito por uma lagarta peluda!... Vai fazer tratamento, mas vai demorar muito tempo a cicatrizar, se a pele cair". A pele caiu, pois as roupas da cama arrancaram o penso e a pele. A ferida, apesar de tratada diariamente, levou uns quatro meses a sarar!... O animalejo responsável não foi o que a imagem representa, mas um semelhante e da mesma família, talvez um primo, quem sabe?!... 
Hiena
Um outro estranho animal, que embora pareça um canídeo, não é tal, pois é uma mistura de felídeo e viverrídeo. É essencialmente necrófago e só ataca animais fracos e em vias de morrer. Ainda assim é muito prudente, pois costuma pôr-se em posição erecta antes do ataque e, se a vítima for mais alta do que ela, desiste do seu intento e põe-se “a milhas”. Tem um aspecto antipático,  mas é como Deus o criou e é muito útil a sua função na Natureza e merece ser protegido para se evitar a sua extinção.  
Quartel do BCaç.11"Gorilas do Maiombe", Cabinda - 1969(a)
Em seguida vou colocar uma imagem que evoca um Quartel da Guarnição de Cabinda, que era considerado um modelo em tal tipo de Estabelecimentos e, apenas pelo seu exterior poderá fazer-se uma ideia do que seria interiormente: Instalações impecáveis em Cozinhas, Refeitórios, Messes, Cantinas, camaratas, etc., etc. Outro tanto em Secretarias, arrecadações e outros Anexos próprios destas casas. A sua medida em profundidade era superior à medida frontal e as dependências eram iluminadas por amplas janelas rasgadas e a sua planta era perfeitamente rectangular e com torres de vigilância nos seus quatro cantos. Era designado pelo nome de BCaç. Nº. 13"Gorilas do Maiombe" e, como disse acima, justamente considerado como uma instalação militar modelo. 
Vista parcial das instalações da CC de Cabinda
Para concluir, vou anexar uma última imagem parcial das instalações da CC de Cabinda, onde se procedia ao desbaste, serração e secagem em estufas de madeiras extraídas da floresta do Maiombe. Nesta foto distingue-se, na parte central, o rio Chiloango, com uns vinte a vinte e cinco metros de largura, fronteira natural entre o território de Cabinda e a RD do Congo. A floresta em último plano é terra congolesa limtada pelo rio acima citado. Termino este "post" enviando cordiais saudações aos elementos da CArt2396, CArt785 e CArt3514 e seus familiares e bem assim a todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Um até breve para todos com um abraço do Camarada e Amigo,
Botelho
(a) Nota do Autor: Esta legenda é que  está correcta.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Capº.XIV - Recordando eventos

Vou prosseguir com a recordação de alguns eventos ocorridos durante a minha permanência na CArt 2396, que se encontrava, como já disse em anteriores”posts”, aquartelada no Acampamento da Companhia de Celulose de Cabinda, situado na localidade chamada Pangamongo, junto à República Democrática do Congo, separada desta por uns modestos vinte a vinte e cinco metros, largura do rio Chiloango, que servia de fronteira natural entre os dois territórios. E, para iniciar este “post”, cá estou de novo a recorrer à indispensável “muleta” das imagens para conseguir compor o texto que quero apresentar. Desta vez, a imagem a que recorri, foi captada numa comemoração de um aniversário, mas não me recordo de quem. 
Da esqª.para a direita:Furs.Neto e Runa,1º.Cabo Rodrigues e 2º.Sarg.Botelho
  Deve ter sido talvez do Comandante da Companhia ou de um qualquer seu familiar, uma vez que foi servida a refeição no Refeitório das Praças  e foi, de facto uma comemoração em grande, pois estiveram na mesma todos os elementos presentes na ocasião que devia ser pouco mais de um GC. Na foto em questão, estão presentes eu, a seguir o Fur.Mec. Auto Runa e o Fur. At. Neto. O militar que está a servir à mesa é o 1º.Cabo Rodrigues que era um dos moços que serviam às mesas da Messe de Of. e Sarg..  Há um quinto elemento que está escondido no primeiro plano da foto e que não é possível reconhecer.
Espectáculo de ilusionismo
Seguidamente, vou  anexar outra foto, que representa um espectáculo de variedades que foi apresentado aos militares  da Companhia, e que era protagonizado pelos artistas em palco e que eram um ilusionista, cuja assistente está a seu lado e que era ao mesmo tempo cancionista no espectáculo. Destes dois artistas um era português e a “partenaire” era espanhola. Do elenco, fazia ainda parte o cançonetista português Luís Piçarra que, na altura, já estava a ficar um tanto ou quanto velhote, mas ainda tinha o seu conhecido timbre de voz bem afinado. Era feito um preço bastante acessível para toda a gente poder assistir aos espectáculos.

Um cacaueiro
 Para variar o tema, vou apresentar uma imagem que representa uma das plantas que, embora não fosse das mais importantes na agricultura  de Cabinda, pois estas eram os cafeeiros, tinham mesmo assim grande utilidade na torrefacção local do café, a cujos grãos se misturavam alguns grãos de cacau que eram torrados em simultâneo com o café e depois moídos, o que  dava ao produto final um típico sabor que só nos Cafés de Cabinda se encontrava. E na verdade era um dos orgulhos de Cabinda o uso do seu lote especial de café, torrado localmente. 

Vista parcial de Cabinda

Por fim e para terminar, apresento uma ultima imagem de uma vista parcial de Cabinda, vendo-se no extremo direito parte do edifício do Rádio Clube de Cabinda, seguindo-se, em segundo plano, alguns prédios de andares. Ao centro e em último plano, encontra-se a Sé Episcopal de Cabinda e no extremo esquerdo mais alguns prédios de andares. Ao longo do primeiro plano, nota-se a existência de uma estrada asfaltada que dava para a entrada ou saída da cidade, sendo a artéria principal para o acesso ou saída da mesma. Estou a ver que tenho de encerrar este “post” e faço-o, apresentando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 2396, da CArts 785 e 3514 e familiares, assim como a todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos vai um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 9 de março de 2012

Capº.XIII - Prosseguindo o desfile de memórias

Pois é assim, tal como digo no título deste "post"!... Estou aqui de novo a reatar o meu desfile de recordações de Cabinda,a terra "fiote" como se dizia naquele tempo. E, para fazer correr o manancial de memórias, nada melhor do que recorrer às imagens fotográficas  que são excelentes meios de favorecer o ressurgimento de factos já há muitos anos ocorridos. As imagens de que me vou socorrer como "muleta", foram captadas entre os anos 68/70 do extinto século XX e já têm garantida uma existência de 42 a 44 anos que, na verdade, representam uma vida entre tantas que não tiveram uma duração tão longa. Recorri então aos meus ficheiros e seleccionei algumas imagens para ilustrarem esta postagem.  
Na Messe, no fim do Almoço
Assim, em primeiro lugar,  escolhi esta foto que evoca o fim de um almoço na nossa Messe, em que figuro eu, a seguir e voltado de costas, encontra-se o Fur.Milº. Enfº., Pais da Costa. Ao seu lado e perfeitamente visível, encontra-se o Fur. Milº.de Trms e, finalmente, escondido atrás e pouco visível, encontra-se, se não estou em erro, o Fur. Milº. Luís Murta, pois era um dos elementos que ocupava naquela mesa e aquele mesmo lugar, quando se encontrava na sede da CArt 2396, uma vez que era um Fur.Atirador,  operacional, sendo algumas vezes desviado para destacamentos, com o seu GC, para outras zonas de Cabinda.
Raposa voadora

Para variar o tema das fotos, encontrei , bastante a propósito, a imagem que anexo a seguir e representa um animal que nunca vi noutros locais  em Angola, senão em Cabinda. É muito parecido, no aspecto geral, com o morcego europeu, com a diferença no formato do focinho, cor da pelagem e no tamanho, evidentemente. Enquanto aquele tem mais o aspecto de um murganho sem cauda e alado, com uma envergadura alar de pouco mais de 10cm, este, ou melhor, esta a que chamam raposa voadora, tem um focinho muito parecido com uma raposa e uma envergadura alar de 1,m45. Embora tenha o nome cientifico de “Vampyrus”, não é hematófaga, conforme mito criado e alimenta-se unicamente de frutos e de néctar das flores, desempenhando uma útil função de polinização nas plantas frutíferas e na propagação de muitas outras plantas de cujos  frutos se alimenta e em que as sementes desses frutos têem de passar pelo trato digestivo daqueles animais para nascerem novas plantas. São caçados algumas vezes pelos nativos, para serem usados na alimentação e estão em risco de extinção, enbora sejam animais protegidos pela legislação nacional e internacional. São animais mansos e não fogem das pessoas, mas podem transmitir a raiva.
Repuxo e lago com nenúfares junto à Messe de Of.e Sargentos
 Prosseguindo na minha pesquisa de imagens, encontrei a que a seguir anexo e que representa o lago que existia junto à Messe de Oficiais e Sargentos, que tinha plantas de nenúfar na sua água e  uma peanha central de cimento,encimada pela figura de um peixe, de cuja boca saia um repuxo. Dava uma agradável sensação, estar nas horas de silêncio da noite, a ouvir o murmúrio da água a cair no lago e a ouvirmos rádio em surdina, para não incomodar as pessoas que estavam a descansar. 
Finalmente, aqui vai a ultima imagem seleccionada para hoje. Estou eu, a jantar no restaurante da Tila, que servia os camionistas da Madeireira. Ainda me lembro como se fosse hoje do que lá fui comer: um valente bife, com um ovo estrelado, azeitonas pretas e batatas cozidas e, para beber, uma garrafa de 7,5 dl de vinho verde branco Casal Mendes e foi porque não havia Casal Garcia, que era o meu preferido. E ia embora a garrafinha inteira!...Hoje já não faço aquelas aventuras e limito-me ao uso da Coca Light . Este está a atingir a minha tabela e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os  elementos da CArt 2396,  da CArt 785/BArt 786 e da CArt 3514 e bem assim aos eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um até breve e um abraço do Camarada e Amigo,
Botelho

sexta-feira, 2 de março de 2012

CAPº. XII - Recordando e...vivendo!...

  Para título deste “post”, escolhi palavras derivadas de um provérbio muito antigo: “Recordar é viver” que, embora possa parecer um chavão ou frase feita, tem no seu conceito um amplo sentido de verdade, pois é bem sabido por todos que uma pessoa que não tenha memórias ou recordações da sua vida passada, não tem uma vida plena e será quase como se estivesse fora do ambiente dos vivos, para não dizer , morta. É uma garantia de boa saúde mental uma pessoa ter recordações do seu passado, sejam boas ou más, uma vez que a vida é composta por toda a espécie de recordações ou lembranças. Assim e dando provas de que ainda estou vivo e de que por cá ainda estou, vou inserir neste “post” uma primeira imagem evocativa, não só para mim, mas também para outras pessoas, de ocorrências passadas já há uns bons 43 anos, enquanto  estávamos em missão de “soberania” no Pangamongo, enclave de Cabinda, Angola.
Na imagem:(?),Botelho,Furs.Fernandes e de TRMS.
Na  imagem aparecem várias pessoas, que são, a contar da esquerda para a direita, um furriel, de quem já não lembro o nome, a olhar para a câmara; em segundo lugar, estou eu a fechar os olhos por causa do”flash”. A seguir, meio escondido, encontra-se o Fur.Vagomestre Fernandes e, por fim meio de lado, encontra-se o Fur. de TRMS. Tínhamos estado a jantar e tínhamos acabado de tomar o nosso café e estávamos na conversa a fazer tempo para irmos para os nossos quartos, ouvir as notícias da rádio, pois a televisão ainda não existia, ler alguma coisa e depois, ir  para a cama para dormir, até à manhã do dia seguinte.
Junto ao heli da Madeireira Jomar
Em seguida, tendo rebuscado nos meus ficheiros de imagens, fui encontrar uma outra foto, em que figura a minha pessoa, junto a um helicóptero da Companhia Madeireira “JOMAR”, sedeada em Cabinda, que explorava as madeiras da floresta do Maiombe e era a proprietária das instalações que nos serviam de Quartel. O edifício que está ao centro da foto era a Capela-Escola, pois servia para que se fizessem ali os serviços religiosos e escolares, na mesma casa, mas em salas separadas. Como se pode ver, é um edifício construído em madeira e que, certamente, já hoje não existirá, pois deve ter sido destruído pelos ML, a quando da independência de Angola e, se não foram eles, terá sido destruído pela salalé ou formiga branca .

Prosseguindo com a minha pesquisa no meu acervo fotográfico, fui encontrar uma outra imagem que representa a Sé Catedral de Cabinda. Isto faz-me recordar o bispo auxiliar de Luanda, D.André Muaca que era natural de Cabinda e que foi o primeiro bispo católico autóctone em Portugal e Angola. Estou também a recordar-me de uma passagem que fez no Pangamongo,  transportado num dos camiões do MVL, para fazer visita pastoral à regiões norte e nordeste de Cabinda. Era um simpático velhote, aparentando os seus sessenta anos avançados, mas dotado de bastante vitalidade e vivacidade. Finalmente, após mais algumas pesquisas nos meus arquivos, fui encontrar mais uma imagem que anexo .
Em baixo: Fur.Antunes;de pé Fur.Pais da Costa, Botelho e Furs.Bogalho,Fernandes, Murta e
Gonçalves
Foi tirada a quando da inauguração de um lago com repuxo que foi construído sob o alpendre da Messe de Sargentos. Nela figuram, no primeiro plano e à esquerda, em posição baixa, o Fur. MilºAntunes. No segundo plano e de pé, estão, da esquerda para a direita, o Fur.Milº.Enfº.Pais da Costa,  a seguir, eu próprio, os Fur.Milºs. Bogalho, Fernandes, Murta e Gonçalves. Este já atingiu a extensão ideal e vou ter que encerrá-lo. Envio cordiais saudações para todos os elementos da CArt 2396, CArt 785 CArt 3514 “Panteras Negras” e respectivos familiares, com um até breve e um abraço para todos do Camarada e Amigo,
Botelho

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Cap. Xl - Bicharada de Cabinda

Sem querer meter-me em matéria de ciências naturais, meteu-se-me na cabeça dar uma ideia da bicharada existente em Cabinda que era e é, de facto, muito variada e exótica para todos os europeus e com a qual, só naquele tempo, estavam a tomar contactos e conhecimentos práticos, uma vez que, pelo menos, em teoria, já teriam algumas ideias sobre a respectiva existência. Assim, estavam a conhecer em realidade o que tinham aprendido nos manuais escolares.
Fases da formiga-leão: Larvar; larvar, em posição de caça e
Insecto perfeito(com asas)
Assim, vou começar por mostrar a imagem  dum curioso insecto, com um nome, também um tanto invulgar e que é nada mais nada menos que o de formiga-leão. O animalzinho não é, na realidade uma formiga e muito menos um leão. Apenas é assim chamado porque, na fase larvar da sua existência, é um predador insaciável de outros insectos, tais como formigas e pequenas borboletas que se aproximam curiosamente das armadilhas que a formiga-leão constrói e que constam de pequenas covas cónicas construídas de areia e em cujo fundo se encontra escondido a caçador e, mal as presas assomam curiosas ele, lá do fundo da sua cova, dispara areia sobre a presa que se atrapalha e escorrega pela rampa da armadilha, onde encontra a morte nas fortes mandíbulas do predador. Há um outro insecto curioso que é muito vulgar em toda a África tropical e também em Cabinda.

Morros de salalé(formiga branca)
Trata-se da formiga branca ou salalé, que é uma praga para as madeiras, quer estejam na natureza  ou incluídas na construção de moradias. Mas  enquanto estão na natureza servem-lhes de matéria prima para a construção dos seu ninhos, que são autênticas obras de avançada engenharia, pois têm nas suas estruturas os necessários espaços para ninhos e  maternidades, armazéns de provisões, canais de ventilação, sistemas de aquecimento e até plantações de fungos para alimentação e com andares com corredores e câmaras com aplicações diversas. Tudo isto é construído com uma mistura de celulose de madeira e vegetais, saliva e barro e que fica com uma consistência de argila cozida no forno e, portanto, com uma impermeabilidade total à água das chuvas ou das enchurradas. Junto aqui uma imagem desses morros, que são autênticas cidades fortificadas, que chegam a atingir três ou mais metros de altura e são bastante resistentes ao derrube e à destruição. Prosseguindo e puxando à cena uma outra personagem, bastante antipática  e indesejada e que é, nada mais, nada menos que a “pulga penetrante”. É designada pelos indígenas como “bitacaia” e “matacanha” pelos europeus. É chamada também por “bicho-de-pé”, nome que lhe dão os brasileiros e diz-se até que esse animalículo é originário do Brasil, de onde foi levado  para a África.  Aqui junto uma imagem com a efígie desse parasita que tem uma predilecção pelos pés  das pessoas que se descuidam e andam descalças em Angola e em toda a África. Para a sua retirada, é necessária uma grande  perícia e cuidado para evitar o rebentamento do casulo cheio de ovos, que está sob a pele dos pés originando comichão e que dariam origem a várias infecções se tal acontecesse e os melhores especialistas nessa melindrosa operação são os próprios nativos.
Pulga penetrante(Matacanha, bitacaia ou bicho-de-pé)
São eles os únicos a fazê-lo com garantia total da completa excisão do parasita “matacanha” e respectivo casulo. Não falo aqui dos papagaios cinzentos, nem do miruim e nem dos gorilas pois já aqui fiz referência a esses três habitantes de Cabinda e que são considerados como que o símbolo daquela região tropical africana. Estou a atingir o limite para este “post” e, por isso, vou encerrá-lo enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 2396/BArt 2849, CArt 785/BArt 786 e CArt  3514, assim como a todos os que se derem ao trabalho de me ler e  aos eventuais visitantes deste Blogue. Para todos, um até breve e um abraço do Camarada e Amigo,
Botelho

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cap. X - Mais recordações de Cabinda

Apesar de estarem as recordações algo adormecidas pelo passar dos anos é, para mim, suficiente recorrer a algumas imagens fotográficas que tenho digitalizadas e outras que ainda o não estão, para fazê-las surgir das trevas do tempo, com uma nitidez e acuidade excepcionais. A cronologia real dos factos documentados nessas fotas é que se encontra irremediavelmente alterada e sem possibilidades reais de ser reposta. Tal impossibilidade, não tem, na verdade, qualquer importância  para a veracidade dos factos nelas documentados, que são reais, embora apenas estejam localizados aproximadamente nos  anos, desconhecendo-se, com precisão a  dia e hora e mês em que ocorreram e, estes pormenores, na realidade, não têm um interesse tão importante quanto se possa crer.
Pessoal da CArt 2396, na entrada do refeitório em Pagamongo
.Assim, socorro-me de uma imagem em que aparece representada uma parte significativa dos efectivos da CArt 2396/BArt 2849-RAL-5, em que, pela nitidez da sua imagem, se podem reconhecer muitas fisionomias. Reconheço a grande maioria delas, mas nomes, só me lembro de alguns. A foto foi captada por volta dos anos de 68-70 e, por isso, tem garantidamente entre 42 ou 44 anos de idade. É natural que algumas das pessoas que aqui estão representadas, já não façam  parte do mundo dos vivos, outras já estarão um pouco diferentes por efeito da idade e doenças e algumas manterão  ainda um aspecto muito aproximado do que tinham naquela altura, mas os figurantes dela que ainda andem por cá, não estarão esquecidos dos nomes de nenhum deles. 
Lavadeiras
Em  seguida, apresento outra imagem, tirada a quando de uma ida ao Destacamento do Necuto, em que, ao passarmos num pontão sobre um dos afluentes do rio Chiloango, encontrámos um grupo de duas lavadeiras cabindas ocupadas nas suas tarefas diárias de lavagem de roupas. Entre as duas mulheres distingue-se a cabeça de um soldado que lhes pediu um balde emprestado, para colocar água no radiador do Unimog, que estava a aquecer um bocado. A foto seria excepcional se fosse captada em cores, pois o ambiente e a vegetação tinham um colorido como só em África se encontra. Continuando com a minha pesquisa de velhas fotos, fui encontrar esta em que me encontro eu acompanhado de alguns dos Fur.Milºs.
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2º.Sarg.Botelho,Furr. Murta,Pais da Costa,Antunes, Neves e Bogalho.Os miúdos são filhos de
 madeireiros, menos o que está ao colo que é filho do Cmdt.
Deve ter sido captada num domingo, pois eu e alguns dos outros estão”à paisana”. Os miúdos que estão connosco são do acampamento dos madeireiros, com excepção do que está ao colo de um furriel, que é o Tozé , filho do Sr.Cap.Novais, Comandante da CArt 2396. Finalmente, vou apresentar a última imagem deste “post” e que representa parte das instalações portuárias da cidade de Cabinda. Era um porto de grande movimento, mas que, excepcionalmente, neste dia, se encontrava com pouca actividade,  não se vendo qualquer navio em carga ou descarga. Apenas se vêm na doca, ancoradas ao largo, pequenas embarcações e algumas lanchas portuárias. Esta imagem foi captada nos anos 68-70, por ocasião de uma ida à cidade de Cabinda, para ir levantar fundos para o pagamento de ordenados a todos os militares e
Instalações portuárias de Cabinda(vista parcial)
fazer compras da materiais de luz, aquecimento, água, lavagem e limpeza, para gastos da Companhia. Era uma deslocação mensal e que nos ocupava um dia inteirinho. Saíamos de manhã cedo e só regressávamos à Companhia já noite avançada,(21 a 22H00). Só havia tempo para tomar um banho, comer alguma coisa e ir para a cama, pois quando chegávamos e nos víssemos num espelho, não sabíamos se éramos pretos ou brancos, tal era a quantidade de poeira que trazíamos em cima, pois embora a maioria da estrada que percorríamos fosse asfaltada , ainda existiam alguns troços em que era de laterite e bem poeirenta na época seca. Acho que já estou a ultrapassar o limite para a extensão deste “post”, pelo que vou encerrá-lo. Termino enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 2396/BArt 2849, CArt 785/BArt 786 e CArt 3514-RAL-3. Para todos, um até breve e um abraço do Camarada e Amigo.
Octávio Botelho

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cap. IX - Outras histórias de Cabinda

Decorridas que são quatro décadas sobre determinadas ocorrências, a memória já nos prega algumas partidas, quando tentamos relatar essas mesmas ocorrências com o  máximo de autenticidade. O que vale, em muito casos, é termos imagens fotográficas que nos ajudam eficazmente a recordar e relatar fielmente os factos que estão documen-tados nessas imagens e nos servem como que de “muleta” para que possamos evocá-los, passando-os a relatos escritos. Assim, após uma exaustiva busca às minhas velhas recordações, encontrei a foto que agora anexo a este “post”e que representa a minha pessoa, quando tinha uns trinta e dois anos de idade. Estou acompanhado por um 1º. Cabo que, se não estou errado, era “Socorrista”. Quanto ao seu nome, francamente, não tenho qualquer lembrança de qual fosse. Se este “post” for lido por algum elemento da CArt 2396, que saiba o nome do meu acompanhante, agradecia que, através de um comentário, me dissesse o seu nome.   A foto foi captada no Destacamento, a nível de Pelotão, da CArt 2396, que se encontrava na localidade chamada Necuto, que ficava situada na fronteira nordeste- sudoeste  com R.D.do Congo, fronteira essa materializada pelo Rio Chiloango, que se vê perfeitamente no 2º.plano da imagem.
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2º.Sarg.Botelho e um 1º.Cabo Socorrista
Por trás de mim, vê-se uma planta florida, chamada mamoeiro, muito abundante em  Angola, mas especialmente em Cabinda. A mata que se vê em último plano na imagem e para além do rio, é a periferia da chamada Floresta do Maiombe, habitat natural dos pigmeus e dos gorilas e está em território congolês. Os nativos do lado português tinham relações comerciais com aldeias vizinhas e usavam o sistema de troca de produtos. Os de cá forneciam produtos agrícolas e do outro lado apresentavam produtos que eram de mais difícil aquisição no lado contrário. Foi  nesta localidade que provei, pela primeira vez, uma cerveja de fabrico congolês, de nome “Primus”, apresentada em garrafas de 1 litro, de uma qualidade bastante razoável. Aqui, também tive a oportunidade de provar umas sardinhas de conserva em tomate, em latas cilíndricas, de excelente sabor e qualidade, de fabrico sul-africano. Prosseguindo a minha pesquisa e utilizando ainda a “muleta” fotográfica, anexo uma outra imagem, captada no mesmo local da anterior, mas desta vez, no interior das instalações militares. Os militares compravam animais aos nativos e possuíam a sua própria criação, como se pode verificar por esta cabra que teve gémeos. Assim, tinham possibilidades de terem leite e carne para uma qualquer emergência ou aperto.
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Criação do Destacamento do Necuto
Obrigavam-se a isto, pois era  muito difícil adquirir estes animais aos nativos pois, quando o tentavam fazer, eles diziam que  não vendiam animais, porque os queriam para criação ou melhor diziam: “não vendemo animal porque é p'ra fazê minino!...” Neste destacamento tinham uns quantos burros semi-domesticados, que  serviam para carregar lenha para a confecção das refeições, pois era o único combustível existente no local que servia e era usado para isso. Continuando a procurar nas minhas velhas fotos, fui encontrar mais esta que segue. Foi tomada, em dia diferente, no mesmo  local das anteriores, próximo do mastro da Bandeira, que ficava num local bastante elevado e sobranceiro à casa do Administrador do Necuto, que se vê em 2º.plano e, ao fundo, a omnipresente floresta do Maiombe, já situada na RDC ou Congo de Kinshasa, sendo a fronteira física entre os dois territórios, como já disse acima, o rio Chiloango que, deste local, não é visível.
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Botelho no destacamento do Necuto
E, assim, com estas três imagens fotográficas, recordei e talvez faça mais alguém recordar-se desses tempos que já  lá vão há quarenta e tal anos e que, apesar de muito difíceis e inoportunos naquela altura, é sempre bom recordá-los tendo em atenção o velho axioma que diz que “recordar é viver”, que pode parecer o chavão, que é de facto, mas que é também um sinal de ainda andamos por cá passado tantos anos e que os contratempos daquela época já foram largamente ultrapassados e até deixam algumas saudades. Não saudades doentias, mas sim, as do tempo da nossa juventude, que deu para ultrapassar esses contratempos e agora, passados todo este tempo, recordarmo-los com saudade. Vejo que estou a ultrapassar o espaço que pretendia ocupar e, por isso, vou encerrar este “post”, enviando cordiais saudações a todos os elementos da ex - Cart  2396, das CArt 785 e  3514 e de todos os eventuais visitantes deste Blogue. Para todos vai um abraço e um até breve.
Octávio Botelho

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cap. VIII - Reminiscências de Cabinda

A palavra “reminiscência”, é sinónimo de recordação vaga ou memória quase apagada. Reforçando esta sinonímia estão os já longos 42 a 44 anos decorridos sobre os factos sucedidos. Passado que foi um tão vasto lapso de tempo que equivale praticamente a uma vida, embora se sabendo que há vidas que não duraram nem duram tanto tempo quanto isto. Mas, valha a verdade, ao fim e ao cabo, estas comparações não passam de filosofia e esta é uma ciência que é bastante discutível e se presta a estéreis polémicas, pois que se pode afirmar que cada um tem a sua filosofia própria e individual, que deve ser respeitada.
Ida ao Luali, em Cabinda
.Assim, deixando que cada um se manifeste filosoficamente como queira e ao seu arbítrio, vou tentar desfiar algumas reminiscências de factos ocorridos durante a minha permanência no enclave de Cabinda, nos anos 68 a 70 do século passado. Assim estou a recordar-me de um acidente ocorrido no Pangamongo, sede de CArt 2396 naquele período. Devia decorrer o ano de 69, quando um dos militares da Companhia, que tinha de se deslocar ao Hospital Militar de Luanda, para tratamento de determinada moléstia que resistia aos tratamentos feitos nos Serviços de Saúde  de primeira linha .Estava o militar a tratar de arrumar a sua bagagem e, quando procedia à limpeza da arma individual que lhe fora atribuída para defesa pessoal durante o seu deslocamento(uma pistola Walther 9mm), por uma inadvertência ou descuido qualquer, depois de montar a arma, ocorreu um disparo de um tiro fortuito que o atingiu, ferindo-o gravemente.
Refeitório das Praças no Pangamongo
Ele, que estava à espera do MVL para ir para Cabinda e de lá, por via aérea para Luanda, teve que ser evacuado de urgência em Helicóptero da FAP , directamente dali para o HML. Nunca mais tive notícias do  ferido e já nem me lembrava de que tivesse regressado à CArt 2396, mas há pouco tempo, tendo perguntado por ele ao Esmeraldo Diogo, este informou-me de que o acidentado daquele tempo se encontrava de óptima saúde  e que tinha recuperado completamente do acidente causado pela sua inexperiência ou falta de cuidado. Nesta Comissão tive a grata surpresa de encontrar pessoas da área da minha residência na Ribeira Grande e para mais, com uma ligação, ainda que afastada, com familiares da minha mulher. Eram eles um casal chamados Lima, que moravam na segunda residência dos funcionários da Companhia de Celulose de Cabinda, a contar para baixo da nossa Messe. Fui convidado pelo casal para uns jantares de aniversário enquanto lá estive e passámos ainda alguns agradáveis serões, que em muito contribuíram para me ajudar a passar o tempo enquanto andei no Pangamongo. E é por esta e por outras razões que considero esta Comissão aquela em que melhor me senti, sob muitos aspectos. Estou agora a lembrar-me de outra reminiscência e que era o cuidado, poder-se-ia dizer e com propriedade, quase “ maternal “que certa pessoa tinha para com o pessoal da CArt 2396, em especial, quando tinha que tomar parte nas escoltas aos MVL.
Serração e secagem de madeira da CCC
.A CArtª. 2396, ficava sensivelmente a meio percurso, entre a cidade de Cabinda e o  extremo nordeste do enclave, onde ficava o limite da área reabastecida pelos MVL.que, de Cabinda ao Pangamongo, traziam uma escolta que era rendida por outra fornecida pela CArt 2396, regressando nessa altura a Cabinda no MVL  descendente, a escolta dali originária. A comida fornecida às escoltas do MVL era a ração de combate que, quando usada esporadicamente, era sofrível mas se, pelo contrário, fosse usada com muita frequência, tornava-se insuportável e pouco apelativa. Mas, providencialmente, a esposa do sr.Capitão Comandante, dava-se ao incómodo e ao trabalho de fazer umas quantas “bolas de carne”, para variar e reforçar a alimentação dos militares nomeados para escolta ao MVL(*), com a natural colaboração da Vagomestria da Subunidade, que fornecia os ingredientes e no forno da Companhia coziam-se as bolas, depois de confeccionadas pela Srª.D. Manuela. Por essa razão e por muitas outras, era esta senhora altamente considerada e respeitada por todo o pessoal da CArt 2396, que a considerava como uma “mãe”para todos sem excepção e, ao publicá-lo, creio fazer justiça ao apoio moral que prestou a todos os elementos que fizeram parte daquela subunidade. Este já está a ficar um pouco longo e vou ter que encerrá-lo, enviando cordiais saudações para todos os elementos da CArt 2396, assim como para os da minha primeira e última Comissão, CArt 785 e CArt 3514, respectivamente. Despeço-me com um até breve e um abraço para todos do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho
(*)MVL, Movimento de Viaturas de Logística(Nota do Autor)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cap. VII - Memórias breves e dispersas

 Decorridas que são quatro décadas bem contadas sobre os acontecimentos que se pretendem narrar, se nos cingirmos apenas às palavras, pouco ou nada se poderá comunicar com a intenção de evocar ocorrências surgidas num tão vasto lapso de tempo, uma vez que a nossa memória nos poderá pregar algumas partidas,  deixando-nos em branco. Assim, para nos socorrermos dessas falhas, poderemos recorrer ao recurso das imagens, neste caso, fotográficas, que nos não deixarão ficar mal uma vez que é bem certo que o velhíssimo provérbio popular que diz que “uma imagem vale por mil palavras”, tem, no presente caso, a sua aplicação prática, que é bem demonstrativa da verdade de tal afirmação. Admitindo eu que, na verdade, tenho alguns lapsos de memória e para não cair  nas armadilhas que tais falhas podem produzir, vou recorrer às imagens para relembrar factos ocorridos no Pangamongo, situado no enclave de Cabinda, há cerca de 43 quase 44 anos de distância.
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Aniversário do Fur.Trms. Matos
Assim, a primeira foto a que vou recorrer, reporta-se a um aniversário. Ambiente alegre e descontraído, tanto do aniversariante como dos acompanhantes. O homenageado é o Fur. de Trms Matos(?), que está a ser brindado por um dos convidados que, por falta de copo(?), deve ter recorrido à garrafa de whisky para o efeito. A senhora que se segue e de que não recordo o nome, era a esposa do falecido 1º.Sarg.Silva, (ao tempo, 2º.Sargento) que tomava conta da Arrecadação de Material de Guerra. A seguir, meio escondido pela garrafa, estou eu por fim, já quase fora do alcance da câmara, está o fur. Vagomestre.
Ambiente alegre e descontraído que até se tem quase a impressão de que se não está numa zona de guerra e mal de nós, combatentes se não existissem estes oásis, que nos davam a ilusão de que a guerra estava nos nossos antípodas e não às portas do quintal, como é costume dizer-se. A verdade é que havia essa descontracção porque estavam garantidas as necessárias medidas de segurança, pois se assim não fosse poderiam considerar-nos e com razão, loucos varridos.
Passagem do Ano de 1969
 A imagem a que vou  recorrer em seguida como auxiliar de memória é a que documenta a da  passagem de Ano de 1969. Há pessoas civis e militares da Companhia e outros de outras Companhias. Assim, a começar pela esquerda, está  uma senhora que deve ser filha de um dos funcionários da Madeireira, seguindo-se o Capelão do BArt 2849, Pe. Diamantino.Em seguida,encontra-se o médico da CArt 2396, de que não recordo o nome. Seguem-se-lhe os Furriéis Antunes e Bogalho. O indivíduo que está de olhos fechados, é-me completamente desconhecido, assim como aquele meio escondido a seguir. No primeiro plano , a começar pela esquerda, está um alferes que desconheço, estando eu logo a seguir. Nota-se que não há a alegria que se evidenciava na primeira imagem, uma vez que as pessoas, naturalmente e dadas as circunstâncias de se tratar de uma passagem de Ano, estarem, certamente, a pensar nos seus familiares e noutras festas idênticas, mas com mais alegria. Pois, como é evidente, nota-se que não existe nesta a alegria e expontaneidade que se verificava na foto anterior, pois, de um modo geral, as pessoas apresentam um aspecto sorumbático e manifestando que não se encontram nos lugares em que desejavam estar. Passando agora para outro tema, vou mostrar agora um outro aspecto do ambiente de guerra.

Mascotes dos Faxinas da Messe
Este liga-se com os animais de estimação, pois à falta de a quem dar atenção e carinho, as pessoas dedicam-se de forma admirável a dar atenção aos animais, quer sejam cães, gatos, macacos e até ratos de laboratório(ratos brancos). Assim, os cozinheiros e serventes da nossa Messe, tinham também os seus animais de estimação de que cuidavam com muito amor e carinho. Tínhamos, na nossa Messe dois animais muito estimados: Um gato, que tinha a particularidade de ser integralmente branco e ainda a raridade de ter os olhos com duas cores: um verde e outro vermelho. Chamavam-lhe “Negus”. Tinha uma companheira, uma cadela, mestiça de rafeiro e pastor alemão. De rafeiro, tinha o tamanho e corpo. De pastor alemão, tinha a pelagem e respectiva cor. Mas, naquele lugar, conviviam os dois e estavam sempre na brincadeira, dando aos humanos um exemplo de convivência pacífica a amigável entre animais que, de seu natural, são antagonistas e, portanto, inimigos inconciliáveis, salvo muito raras excepções, o que era amplamente ilustrado pelas mascotes da Messe de Oficiais e Sargentos do Pagamongo.Este já está a ficar um pouco longo, pelo  que vou terminá-lo, enviando cordiais saudações para todos os elementos da CArt 2396 e para todos os que se derem à paciência de ler, assim como aos eventuais visitantes deste Blogue.Para todos um abraço do Amigo e Camarada,
Botelho

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cap. VI - Recordações de Cabinda

A minha permanência em Cabinda limitou-se a pouco mais de um ano e meio, mas foi na verdade o melhor período de tempo de toda a minha prestação de serviço em Angola, que se prolongou por quase uns longos seis anos e meio, no total. Em primeiro lugar e, não menos importante para mim, foi a excelente aceitação que, de um modo geral, me foi dispensada por todos os elementos da CArt 2396, quer por parte de Oficiais, Sargentos e Praças, uma vez que, para todos eles, não deveria passar de um intruso, dado que não tinha participado com eles na formação da sua CArt., nada e criada lá no centro do Douro Litoral, na cidade de Penafiel, no extinto RAL-5. E manda a verdade que se diga que essa fase de vida de uma Subunidade tem uma importância vital na futura convivência de um chefe com os seus subordinados, numa zona teatro de guerra tal qual aquela em que nos encontrávamos. Felizmente a minha adaptação ao pessoal da CArt não foi difícil e a deles à minha pessoa também não foi nada problemática. Demo-nos todos muito bem e tudo decorreu às mil maravillhas.

Rádio-Clube de Cabinda
O Sargento que vim render tinha um feitio muito semelhante ao meu e a adaptação à sua falta quando saiu para o meu lugar processou-se de forma calma e sem tropeços. Dentro de muito pouco tempo já estava completamente integrado e aceite por todos tal como se tivesse participado com eles da formação inicial da Companhia. Tornara-me rapidamente como que um elemento  familiar de todos e de cada um. A Messe de Oficiais e Sargentos era comum  e quando havia aniversários os mesmos eram comemorados como se fosse em família.

Igreja da Vila Guilherme Capelo(Lândana)
O Comandante da CArt., Cap. Novais, tinha com ele a sua esposa e três filhos, que usavam também a Messe. A esposa, Srª. D.  Manuela, desempenhava as funções de professora Primária no Posto Escolar da Companhia de Celulose de Cabinda, para os filhos dos funcionários da Empresa. Os filhos, eram duas meninas, a Isabel e a Xana e um menino chamado Tó Zé, que tinham idades aproximadas entre os oito e dois anos. Esta noite, há poucas horas, falei com o Esmeraldo Diogo, soldado impedido na nossa Messe, que me disse que, depois desses três filhos, tinha nascido mais uma menina de que desconheço o nome. A minha apreciação sobre estas pessoas, nomeadamente o sr.Capitão Novais e esposa é a seguinte: A ele, considero-o um excepcional comandante e condutor de homens, humano e atencioso, muito interessado nas condições de vida do pessoal sob o seu comando e responsabilidade. A senhora sua esposa, com a sua preocupação com todo o pessoal da Companhia, poderia com toda a propriedade e justiça, ser considerada, a título honorífico, como uma extremosa mãe de família, para todos, sem distinção. Por esta e por muitas outras razões é que eu, num dos “posts” anteriores a este, deixei escrito que, das minhas três comissões a Angola, esta é que fora, sob muitos aspectos, a melhor de todas e aquela que melhores recordações me deixou. A última que fiz nos anos 72-74, foi e é a segunda nesta área. Quanto à primeira, dela apenas tenho recordações da camaradagem e espírito de corpo que se forja em ambientes de guerra e combate ao vivo e em  que, felizmente, a partir dela nunca mais me vi envolvido. Quanto a convivência posterior com algumas das pessoas que comigo estiveram   nesta Comissão, tenho falado com alguma delas.
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Aniversário do Sr.Cap.Novais(Prenda:1Isqueiro Dupont)
Assim há poucas horas falei com o Sr.ex-Cap.Novais, por telefone, Tenho falado regularmente com o Esmeraldo Diogo, que foi faxina na Messe de Sargentos, falei há dias com o ex-Fur.Enfº.Pais da Costa, com o ex.Alf.Santos, com o Ex-fur.Murta. Com o Esmeraldo Diogo e com o Murta, correspondo-me por e-mail, trocando alguns pps. Só até hoje não foi possível participar em nenhum convívio da CArt 2396, não por que se não tenham  realizado, mas sim por falta de contactos que, só ultimamente e passados que são quase 41 a 42 anos, vieram a concretizar-se. Ainda há poucas horas me telefonou o Esmeraldo Diogo, a participar-me que , no próximo mês de Abril, de 23 a 27, virá aqui aos Açores e quer encontrar-se comigo aqui em São Miguel, na cidade da Ribeira Grande, onde tenho a minha residência. Ainda faltam quase três meses mas já estou contando os dias que faltam. Nunca esquecerei que o Esmeraldo foi o meu “Enfermeiro” e até “cozinheiro”,quando me fui abaixo com um ataque de paludismo, pouco tempo após ter chegado ao Pangamongo, o quartel da, agora, minha Companhia CArt 2396/BArt 2849.RAL-5, embora por empréstimo. Creio que já estou a ultrapassar os limites de extensão deste “post” e ,por isso, vou finalizar, enviando cordais saudações a todos os elementos das CArt 2396/BArt 2849 e aos das outras em que prestei serviço, CArt 785/BArt 786 e CArt 3514, com um grande abraço para todos. Saúdo também os eventuais visitantes deste Blogue  e a todos os que se derem ao trabalho de ler este “post”.Despeço-me com um até breve!...
Octávio Botelho

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cap. V- Histórias de Cabinda

As CArt’s componentes do BArt 2849/RAL-5, estavam sedeadas em Massabi, junto à fronteira norte com o Congo Brazaville, no Tchivovo, a meio precurso entre o Dinge e Massabi e em Pangamongo, que era onde se encontrava a CArt 2396 onde fui colocado a prestar serviço por  troca com o 1º.Sargento titular (2º.Sargento Costa). Resolveu-se que, num domingo, iríamos os dois aoTchivovo, fazer uma apresentação como novo membro da família e a despedida do camarada Costa que se iria embora para o meu lugar dentro de poucos dias. Foi solicitada a necessária autorização ao Comando do Batalhão e da Companhia, tendo a mesma sido concedida.
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Carta de Cabinda
Assim, num Domingo, após o pequeno almoço, foi organizada uma coluna com um Jeep e três Unimogs 411 e pusemo-nos a caminho do Tchivovo, o 2º.Sarg,Costa, eu, o 2º.Sarg.Silva, a esposa e filho deste, um miúdo com uns 2 a 3 anos de idade e a necessária escolta. Estava um dia excepcional para o passeio, com um sol radioso, mas acompanhado  com uma fresca e agradável aragem que atenuava bastante os calores do sol. Ao aproximarmo-nos do Tchivovo e após dobrarmos uma “crista” de terreno, iniciámos a aproximação ao vale, dobrámos uma segunda curva e avistámos a uns 50 a 60 metros, o fundo do mesmo, que servia de leito a um rio, de águas excepcionalmente cristalinas, onde tinha sido improvisada uma represa artesanal destinada a piscina que estava realmente ocupada com uma dúzia de banhistas em pleno banho, em estado de completa nudez que, ao serem surpreendidos pela primeira viatura a dobrar a curva, ficaram momentaneamente paralisados pela surpresa, só reagindo depois de uns momentos de inacção, atirando-se frenéticamente às toalhas que tinham na margem para se cobrirem.
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Eu, em 1º.plano, em 2º., a casa do Administrador do N'cuto
O que maior impressão me fez, foi a reacção da senhora que nos acompanhava, que foi da maior calma , pois sei que se aquilo tivesse acontecido com muitas damas que conhecia(e conheço!...), teriam feito um escarcéu, para não dizer uma “tempestade”, por causa da ocorrência, pela qual ninguém era culpado. Estou em crer que os intérpretes da peça terão ficado preocupados a pensarem que iriam fazer queixa deles na sua Companhia, mas tal não sucedeu. Depois do almoço no Tchivovo, deslocámo-nos a Massabi, onde estava a outra CArt e lá foram feitas  a minha apresentação e as despedidas do colega Costa. A meio da tarde regressámos ao Tchivovo, de onde partimos ao fim do dia para Pangamongo. No domingo anterior, tinha ido ao destacamento da CArt 2396, no N’cuto, pequena vila fronteiriça ao Congo Brazzaville, na margem do Rio Chiloango, fronteira de Cabinda no sentido NE/SW, até meio da altura do enclave, ponto em que entrava em território português no Pangamongo, com rumo a W, em direcção de Lândana, onde desaguava no Atlântico, junto de um mangue. Era uma vila muito pequena, com um razoável intercâmbio comercial com o Congo, onde os Cabindenses iam a uma feira semanal, tendo sido ali que provei,  pela primeira vez, a cerveja congolesa”Primus”. O Destacamento era a nível de Pelotão(GC). No caminho para lá, passavam-se por várias aldeias indígenas(sanzalas) , com razoáveis níveis de habitantes. Após passar o ramal para N’cuto e a um terço do caminho para Buco-Zau, ficava um quartel abandonado, num local chamado Chiaca e que antes de ser Quartel fora um posto de Polícia Florestal. Tinha umas acomodações modernas  excepcionais e nunca soube por que tinha sido abandonado. Havia lá sido instalada uma completa estação meteoro-climatológica, com pluviómetros, anemómetros, barómetros,  heliografos e todos os tipos de termómetros e, por um posto de rádio, eram transmitidas, diariamente, para Cabinda, as medições de todas as aparelhagens ali montadas. Quando lá passei, todos os aparelhos estavam praticamente destruídos.
Monumento fúnebre de um "notável" de Cabinda
De lá, apenas trouxe comigo uma esfera de cristal de um heliógrafo que estava ilesa no meio de toda aquela destruição. Não serviu de muito, pois perdi-a , esquecendo-a em algum local onde alguém,  mais tarde, a terá reencontrado. Em resumo, óptimas instalações em edifícios modernos, mas sem uma única peça de mobiliário que, ou fora retirado propositadamente, ou saqueado pelos ML. Mas a versão que  corria era que fora, na realidade, saqueado pelo MPLA. Buco-Zau, sede de Concelho ou Circunscrição, localidade situada bem no centro do enclave, tinha um razoável nível de população e boas casas comerciais. Em importância seguia-se-lhe o Belize, também no interior do enclave, mas já no extremo NE, próximo da fronteira com o Congo Brazzaville, mas mais fraco a nível comercial e populacional. Este "post" está a ultrapassar os limites habituais e vou ter que terminá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 2396/BArt 2849, aos  elementos das minhas primeira e última comissões, aos eventuais visitantes deste Blogue e a todos os que se derem à paciência de me ler. Para todos um abraço e até à próxima oportunidade.
Octávio Botelho. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Cap.IV -O clima de Cabinda - A típica bicharada

Cabinda, situada geograficamente entre os paralelos 4 e 6, a sul do Equador, em plena zona tórrida do globo terrestre, evidentemente que teria que ter um clima de temperaturas extremas, mas a verdade é que estas afirmações são académicas e as realidades, na verdade, são muito diferentes. É certo que quem, como eu, acabado de sair de um clima praticamente mediterrânico como o do planalto central de Angola, devia sentir-me desambientado e, desde logo, para início de aclimatização, apanhei uma valente constipação, devido ao excessivo calor que se sentia durante o dia, mas apenas o sol se arrumasse ao anoitecer, a amplitude térmica baixava bastante e tínhamos que nos abrigarmos para não nos engriparmos e bastava-nos descuidarmo-nos um pouco para sermos caçados pela febre e arrepios!.
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Gorila bebé
Foi ali que tive em Angola um dos piores acessos de paludismo. Tivera-os também durante a primeira comissão e trazia comigo em estado latente os seus agentes que, naquele clima despertaram e me atacaram valentemente. Estive acamado, bastantes dias e, como não havia Enfermaria, fiquei no meu quarto em tal estado, que mal podia mexer comigo e sem qualquer vontade para comer nem para nada. Era tratado com injectáveis antipaludicos pelos Socorristas. Quanto a alimentação, para a qual tinha pouco apetite, era assegurada por um dos faxinas da Messe, que tinha uma paciência ilimitada comigo, perguntando-me o que queria que se fizesse para comer, uma vez que nada me apetecia. Hoje é um dos meus correspondentes e, há dias, me falou desta passagem comigo, relembrando-me factos que já se encontravam esquecidos.
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Papagaio cinzento do Congo(Vulgo "Jacó")
Era um soldado e chamava-se (e chama-se!...), Esmeraldo. Falando agora de outros assuntos, não era só o clima que era estranho. Era a bicharada, a começar pelos gorilas que todas as noites faziam uma ronda à cozinha do Rancho Geral, à procura de restos de comida que ficassem nos caldeiros e, toda a noite era ouvi-los a retirarem as tampas dos recipientes que retiniam como sinos, na sua caça à comida, aliás com pouco êxito, pois os recipientes eram lavados e limpos para serem utilizados no dia seguinte. A propósito estou a recordar-me de que o “Bar-man” da nossa Messe tinha como mascote um simpático bebé gorila, que era grande apreciador de cerveja e ficava muito amuado quando o não deixavam beber quanta queria. Em troca, ofereciam-lhe refrigerante, mas ele recusava-o. Vinho, também o bebia, mas a sua preferência ia para a cerveja!...Ficou para mim uma figura memorável, pois brincava com toda agente que se interessasse por ele. Continuando a falar de bichos, Cabinda era e é ainda a terra dos papagaios cinzentos, embora estes estejam espalhados por todas as florestas do Congo Brazaville. Eram conhecidos pelo nome de”Jacós”, pois  era  uma  das primeiras palavras que “palravam” e havia também uma quantidade razoável destes animais que foram adoptadas como mascotes pelos militares, que os instruíam com um vasto repertório de palavras e palavrões de todos os calibres. Qualquer destes animais eram inofensivos e só alguns deles podiam transmitir doenças aos seres humanos. Por exemplo, era preciso ter cuidado com os papagaios, pois podiam transmitir às pessoa uma doença chamada “psitacose” , com mais frequência em pessoas com imunização debilitada, tais como crianças, doentes ou idosos . Quanto a outros animais, havia-os mais pequenos, que quase eram invisíveis e insignificantes, mas potencialmente transmissores de diversas doenças graves. O mais falado de todos era o “mirui”, também chamado “maruim” ou “miruim” e que era nada mais nada menos que um micro-mosquito, que não havia rede mosquiteira que o segurasse de nos atacar. 
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O micro-mosquito "maruim"ou "mirui", muito ampliado
Chegava a entrar nas mais finas redes das janelas para atacar as pessoas e o único meio de dar cabo deles, era usar uma espiral insecticida, chamada “Dragão”, fabricada em Macau e que tinha de ser acendida num extremo, depois de colocada num suporte de lata, onde ardia fumegando toda a noite e que era composta por um material combustível lento, impregnado de um insectífugo chamado “piretrina”, inofensivo para as pessoas, mas que afugentava qualquer espécie de mosquito. O tal”miruí” era tão pequeno que não se via facilmente, só se sentiam as suas picadas e quando as pessoas batiam no local das ferroadas é que se viam os riscos de sangue que eles deixavam na pele das pessoas, ao serem esmagados pelas pancadas que lhes davam!...Ora vejam lá que bendita raça de mosquito!... Por hoje, vou ficar por aqui!...Fugi um bocado ao tema da guerra, mas acho que até fiz bem para não ocasionar saturação. E, dado que este está a ficar um pouco longo vou terminá-lo também pelo mesmo motivo, despedindo-me com amizade até ao próximo capítulo, com um abraço para todos. Até breve!...
Octávio Botelho